O médico Digeorgio José Martins Alves tornou pública uma grave denúncia contra um grupo que estaria envolvido em crimes como sequestro, extorsão, apropriação de bens, roubo de gado, falsidade ideológica e contratos simulados. A atuação criminosa, segundo ele, se estende pelos estados do Maranhão, Piauí e Minas Gerais.

De acordo com a vítima, o golpe começou a ser articulado em agosto de 2022, quando foi apresentado a um empresário, com quem firmou um contrato de empréstimo para investimentos empresariais. Menos de um mês depois, no dia 30 de setembro, o médico foi sequestrado na porta do prédio onde mora, em Teresina (PI), pelo empresário, um sobrinho dele e um terceiro homem ainda não identificado.

Sob coação, o médico foi levado a um cartório no Maranhão, onde foi forçado a assinar documentos que transferiam para terceiros dois bens de alto valor: uma fazenda localizada no município de Capinzal do Norte (MA) e um prédio comercial em Codó (MA). Após a assinatura, ele afirma ter sido mantido em cárcere privado em uma fazenda do interior maranhense.

Os imóveis teriam sido transferidos para uma advogada, esposa do empresário. Além dos bens imóveis, também foi levado todo o rebanho bovino que estava na fazenda, sendo parte fruto de uma sociedade com um fazendeiro e um advogado de Pedreiras (MA), e parte de sua propriedade particular. Para dar aparência legal às transferências, o grupo utilizou documentos forjados, contratos simulados de compra e venda, procurações públicas fraudulentas e acordos falsos de aluguel de pasto.

O caso está sendo investigado por diversos órgãos da Justiça. Tramitam ações cíveis e criminais em Porto Franco (MA), Lago da Pedra (MA) e Teresina (PI). A ação penal na capital piauiense está sob responsabilidade do Ministério Público Estadual, com atuação do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). As acusações incluem extorsão mediante sequestro, falsidade ideológica, estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e simulação contratual.

Há também relatos de que os investigados estejam envolvidos em outros golpes patrimoniais, como o caso da empresa “Point das Fábricas”, em Sete Lagoas (MG), onde vítimas denunciaram prejuízos milionários causados por falsas promessas de lucros com revenda de eletrodomésticos.

“O que parecia um negócio legal era só fachada. Por trás havia violência, intimidação e fraude. Não quero vingança, quero justiça. Que ninguém mais passe por isso”, declarou o médico à imprensa.

As investigações seguem em andamento nos três estados e podem levar à responsabilização penal e civil dos envolvidos.