A Justiça do Maranhão condenou, nesta quarta-feira (10), Edvaldo Pereira Júnior e David Sousa Nunes pelas mortes dos adolescentes Luís Fernando Abreu Fernandes e Josias Alberto Santos Diniz, ambos de 16 anos, assassinados a tiros em um campo de futebol no bairro Coroadinho, em São Luís. O crime ocorreu em 3 de julho de 2022.

Edvaldo foi sentenciado a 32 anos e um mês de prisão, enquanto David recebeu pena de 31 anos e oito meses. Ambos também foram responsabilizados pela tentativa de homicídio contra um terceiro adolescente, de 12 anos, que sobreviveu ao ataque. As penas deverão ser cumpridas em regime fechado no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, e os condenados não poderão recorrer em liberdade.

O julgamento ocorreu no Fórum Desembargador Sarney Costa. Outros três acusados — Lucas Santos Rocha, Talison Maravalho Nunes e Ricardo de Souza Nunes — foram absolvidos pelo júri popular.

Crime com características de chacina

De acordo com as investigações, os acusados eram integrantes de uma facção criminosa e teriam confundido as vítimas com rivais. Durante o julgamento, 11 testemunhas foram ouvidas, incluindo policiais, familiares e sobreviventes. Todas confirmaram que os adolescentes eram ligados à Igreja Adventista e não tinham envolvimento com atividades criminosas.

Segundo a denúncia, homens armados saíram de um matagal próximo ao campo, conhecido como “Caranguejo”, e dispararam várias vezes contra os jovens que jogavam bola. Luís Fernando morreu ainda no local. Josias chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I), mas não resistiu. O adolescente de 12 anos, também baleado, sobreviveu.

O juiz Pedro Guimarães, do 2º Tribunal do Júri, ressaltou na sentença que o ataque teve características de chacina, o que aumenta a gravidade do crime. Durante a sessão, Edvaldo Pereira confessou sua participação no assassinato.

Sobreviventes escaparam pelo mangue

Segundo a Polícia Civil, outros adolescentes presentes no jogo conseguiram escapar ao correr para o mangue próximo ao campo. O delegado Ivônio Ribeiro, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), destacou que as vítimas eram jovens frequentadores da Igreja Adventista que se reuniam semanalmente para jogar futebol no local.