O Governo Federal reconheceu, nesta quinta-feira (25), a situação de emergência em Porto Franco, município localizado a 720 km de São Luís, em razão dos impactos provocados pelo desabamento da ponte Juscelino Kubitscheck, que ligava o Maranhão ao Tocantins pela BR-226. A estrutura desabou no dia 22 de dezembro de 2024, causando uma das maiores tragédias da região.

O colapso da ponte deixou 14 mortos, três desaparecidos e um sobrevivente. Sete veículos caíram no rio Tocantins, entre eles três carretas que transportavam 76 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de defensivos agrícolas, ampliando os danos ambientais e afetando diretamente comunidades ribeirinhas que dependem do rio.

Com o reconhecimento da situação de emergência, a Prefeitura de Porto Franco poderá solicitar recursos federais para ações de defesa civil, como fornecimento de cestas básicas, água potável, kits de higiene, limpeza e dormitórios, além de apoio logístico para voluntários e trabalhadores.

Vítimas ainda desaparecidas

Oito meses após o desabamento, três pessoas continuam desaparecidas: Salmon Alves Santos, 65 anos, seu neto Felipe Giuvannuci Ribeiro, 10 anos, e Gessimar Ferreira da Costa, 38 anos. Alessandra do Socorro Ribeiro, 40 anos, esposa de Salmon e avó de Felipe, também estava no veículo com a família. O corpo dela foi o último a ser localizado pelas equipes de resgate.

Causas do acidente

A perícia da Polícia Federal concluiu que o colapso foi causado pela deformação do vão central, em decorrência do excesso de peso dos veículos que transitavam pela ponte. O processo de queda durou cerca de 15 segundos; o vão central desabou em menos de um segundo. A investigação utilizou drones, scanners a laser e modelagem 3D para reconstruir a cena.

Construção da nova ponte

Uma nova estrutura está em construção entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO). Orçada em R$ 171,1 milhões, a obra deverá ser concluída ainda em 2025. A ponte terá 630 metros de extensão, 19 metros de largura e vão livre de 154 metros, além de duas faixas de rolamento, acostamentos, passeios para pedestres e sistema de monitoramento de deformações e vibrações. Mais de 500 trabalhadores atuam em regime de dois turnos, incluindo domingos e feriados, para garantir a entrega dentro do prazo.

Atualmente, o Maranhão contabiliza 19 municípios em situação de emergência: 11 por chuvas intensas, três por estiagem, dois por colapso de edificações, dois por alagamentos e um por erosão continental, no caso das voçorocas de Buriticupu.