A Toyota anunciou a paralisação de todas as suas fábricas no Brasil, sem previsão de retomada, após uma microexplosão atmosférica ter destruído a unidade de motores em Porto Feliz (SP). O fechamento afeta diretamente a produção de modelos como Yaris Cross, Yaris (para exportação), Corolla e Corolla Cross.

A montadora, quinta maior fabricante de veículos do país, produziu mais de 200 mil unidades em 2024. A interrupção atinge as plantas de Sorocaba, responsável por Yaris, Yaris Cross e Corolla Cross, e de Indaiatuba, dedicada ao sedã Corolla. A crise pode se estender até 2026, já que Porto Feliz era responsável pela fabricação dos motores 2.0 Dynamic Force (Corolla e Corolla Cross) e 1.5 (Yaris).

Além de atender à linha atual, a unidade também se preparava para produzir uma evolução do motor 1.5 flex, voltado ao Yaris Cross, além de montar o sistema elétrico do conjunto híbrido flex que equipará as versões de topo do SUV.

Garantia de empregos

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, não haverá demissões nas unidades afetadas. Apenas em Sorocaba, a Toyota mantém 4.500 empregos diretos e gera milhares de postos indiretos. Os trabalhadores entrarão em férias coletivas, enquanto em Porto Feliz o regime inicial será de banco de horas, seguido pelo mesmo modelo.

“O Sindicato garante que não haverá demissões. (…) Estamos mais uma vez mobilizados para assegurar tranquilidade aos trabalhadores e alternativas que mantenham a indústria ativa”, afirmou Leandro Soares, presidente da entidade.

Para evitar cortes, a Toyota negocia layoffs (suspensão temporária de contratos). Durante os próximos três meses, funcionários com salários de até R$ 4.500 terão 100% da remuneração garantida, enquanto os que recebem acima desse valor terão reposição de 95%. Benefícios como vale-refeição e convênio médico serão mantidos.

Impacto econômico

A fábrica de Sorocaba sozinha foi responsável por US$ 935,4 milhões em exportações entre janeiro e agosto de 2025, o equivalente a 23,1% do total nacional, segundo o Dieese. Com a inclusão da unidade de Indaiatuba, o valor supera US$ 1,1 bilhão, cerca de 28% das exportações brasileiras do setor.

A Toyota havia anunciado em 2024 um ciclo de investimentos de R$ 11 bilhões até 2030, sendo R$ 5 bilhões até 2026, com foco na ampliação da fábrica de Sorocaba e no desenvolvimento de novos modelos. Diferente de outras montadoras que enfrentam elevada ociosidade no país, a empresa vinha operando em plena capacidade.

Com a paralisação forçada, a montadora agora busca soluções para preservar empregos, retomar a produção e minimizar os efeitos de uma tragédia climática que atingiu o coração de sua operação no Brasil.