O caso da morte de um recém-nascido durante parto no Hospital Geral Municipal (HGM) de Codó ganhou um novo desdobramento. A reportagem apurou com exclusividade que o médico identificado como Isisnaldo Silva Correia, apontado pela família como responsável pelo procedimento, não possui registro de especialização em obstetrícia no Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA).

A informação foi confirmada após consulta ao cadastro do CRM-MA, onde o profissional aparece sem o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) necessário para atuar como obstetra.

Apesar disso, o nome de Isisnaldo circula em sites e páginas de clínicas particulares como “ginecologista e obstetra”, mas esses perfis não têm validade oficial perante o Conselho de Medicina.

O caso segue cercado de polêmica. A família da jovem mãe afirma que havia um documento médico contraindicado parto normal, mas que mesmo assim o procedimento foi conduzido. O bebê acabou nascendo morto, com sinais de graves lesões nao pescoço e cabeça.

Até o momento, o médico não respondeu aos contatos da reportagem. 

O jornalista Marco Silva registrou uma denúncia contra o médico no CRM-MA, que deve analisar o caso e decidir sobre a abertura de procedimento ético-profissional.

Confira abaixo a denúncia feita por Marco Silva:

Denúncia contra o médico Isisnaldo Silva Correia – CRM-MA

Eu, Marco Silva, jornalista, venho por meio deste registrar denúncia formal contra o médico Isisnaldo Silva Correia, que atuou recentemente em procedimento obstétrico no Hospital Geral Municipal (HGM) de Codó/MA, resultando na morte de um recém-nascido em circunstâncias trágicas.

De acordo com informações obtidas junto ao próprio CRM-MA por telefone, o referido médico não possui registro de especialização em obstetrícia neste Conselho. Ainda assim, estava de plantão no HGM, conduzindo um parto de alto risco que terminou de forma desastrosa e com fortes indícios de negligência.

O caso em questão ocorreu no dia 18 de agosto de 2025, no Centro de Parto Normal do HGM, quando uma gestante de 27 anos deu entrada na unidade. Segundo testemunhas, familiares e profissionais de saúde, o médico insistiu em realizar um parto normal, mesmo após alertas de que o bebê tinha mais de 4 kg e de que a paciente possuía documentação médica recomendando cesariana.

Durante o procedimento, o bebê sofreu complicações graves e teve a cabeça decepada no momento do parto. A situação foi confirmada por um enfermeiro presente na sala e também por familiares, que receberam o corpo do recém-nascido com sinais de sutura.

Diante da gravidade do ocorrido, da falta de registro de especialização em obstetrícia e da repercussão negativa para a saúde pública, solicito que:

  1. O CRM-MA apure a conduta do médico Isisnaldo Silva Correia no caso citado;

  2. Seja verificada a legalidade de sua atuação em partos sem a devida especialização registrada;

  3. Sejam tomadas as medidas cabíveis para garantir que profissionais não habilitados deixem de atuar em procedimentos de alta complexidade, evitando novas tragédias.

Entendo que compete ao CRM zelar pela ética médica e pela segurança da população, e por isso peço providências urgentes neste caso.

Atenciosamente,
Marco Silva
Jornalista – Codó/MA