Três semanas antes de ser executado a tiros em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, 63 anos, já havia manifestado preocupação com sua segurança. Em entrevista concedida no dia 25 de agosto a um podcast em produção da rádio CBN e do jornal O Globo, ele afirmou viver “sozinho” na Baixada Santista e sem proteção do Estado.

“Eu tenho proteção de quem? Eu moro sozinho, eu vivo sozinho na Praia Grande, que é no meio deles. Pra mim é muito difícil. Se eu fosse um policial da ativa, eu tava pouco me importando, teria estrutura para me defender, hoje não tenho estrutura nenhuma”, declarou na ocasião.
Apesar da apreensão, Fontes ressaltou que nunca recebeu ameaças diretas do crime organizado ao longo de mais de 40 anos de carreira. Disse apenas ter tido uma “conversa atrapalhada” com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas destacou que a relação com a facção sempre se deu dentro do campo das investigações.
Fontes foi o delegado responsável por revelar a estrutura e a hierarquia do PCC pouco depois da criação da facção nos presídios paulistas. Também conduziu inquéritos que levaram a importantes condenações de Marcola. Entre 2019 e 2022, ocupou o cargo de delegado-geral de São Paulo, além de ter comandado divisões como o Deic, Denarc, DHPP e Decap. Desde janeiro de 2023, atuava como secretário de Administração de Praia Grande.
O crime ocorreu na noite de segunda-feira (15), na avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, na Vila Caiçara. Imagens mostram o carro dirigido pelo ex-delegado sendo perseguido até colidir com um ônibus. Em seguida, homens armados desceram de outro veículo e atiraram diversas vezes contra ele.
Equipes da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foram deslocadas para reforçar as investigações na região.

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