O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, medida que já provoca forte repercussão política e diplomática no Brasil. A decisão, divulgada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, passa a valer oficialmente a partir de junho e inclui ainda o enquadramento das facções como “terroristas globais especialmente designados”. 

Segundo o governo americano, as duas organizações criminosas possuem atuação internacional, ligação com o tráfico de drogas e envolvimento em ataques violentos contra agentes públicos e civis. As autoridades dos Estados Unidos afirmam que a influência das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da América Latina, além do território norte-americano. 

A medida, no entanto, gerou preocupação entre especialistas e integrantes do governo brasileiro. O principal temor é que a classificação abra espaço para pressões diplomáticas, sanções econômicas e até justificativas para possíveis intervenções estrangeiras sob o argumento de combate ao terrorismo. 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha tentando evitar a designação das facções como grupos terroristas. A gestão federal sustenta que PCC e CV são organizações criminosas voltadas ao lucro e ao narcotráfico, sem motivação ideológica ou política, característica normalmente associada ao terrorismo. 

Nos bastidores, a decisão também ampliou a tensão política entre aliados do presidente Lula e integrantes da oposição ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro chegou a defender publicamente a classificação das facções pelos Estados Unidos e participou de reuniões em Washington antes do anúncio oficial. 

Especialistas em relações internacionais alertam que o enquadramento pode trazer impactos financeiros para empresas, bancos e pessoas investigadas por qualquer ligação com integrantes das facções, já que a legislação norte-americana prevê punições severas para quem oferecer apoio material, financeiro ou logístico a organizações consideradas terroristas. 

A classificação do PCC e do Comando Vermelho ocorre em meio ao endurecimento da política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra organizações criminosas da América Latina.