Uma denúncia de suposto assédio feita pela delegada da Polícia Civil Viviane Fonteles contra o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, começou a circular nos bastidores da segurança pública e nas redes sociais apenas após uma decisão judicial que suspendeu uma liminar que beneficiava a delegada.

O relato feito por Viviane Fonteles diz respeito a um episódio que teria ocorrido no mês passado, durante uma reunião de trabalho no gabinete do secretário, com a presença de integrantes da direção da Polícia Civil. Segundo a delegada, durante o encontro o secretário teria feito comentários considerados constrangedores, chamando-a de “delegata”, afirmando que ela seria “a delegada mais bonita do Maranhão” e pedindo que ela enviasse uma foto para ser colocada em seu gabinete.

De acordo com o próprio relato compartilhado entre colegas, a delegada afirma que era a única mulher presente na reunião e que a situação gerou desconforto no ambiente.

Apesar disso, o episódio não foi formalizado naquele momento. A própria delegada relata que chegou a cogitar registrar um boletim de ocorrência, mas decidiu não levar o caso adiante após ouvir ponderações de que a situação poderia ganhar grande repercussão pública antes de qualquer apuração.

O caso voltou à tona semanas depois, em meio a outro episódio envolvendo a delegada e o governo do estado. Viviane Fonteles integra a diretoria da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Maranhão, que havia solicitado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão a liberação da delegada para atuar na entidade classista.

O pedido foi negado administrativamente pela Delegacia Geral da Polícia Civil. A associação então recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão favorável em primeira instância determinando que a delegada fosse colocada à disposição da entidade.

No entanto, após recurso apresentado pelo governo estadual por meio da Procuradoria Geral do Estado do Maranhão, o desembargador Jorge Rachid Mubárack Maluf, do Tribunal de Justiça do Maranhão, suspendeu a liminar no início de março.

Com a decisão, o afastamento da delegada deixou de ter validade e ela deveria permanecer no exercício regular de suas funções.

Foi justamente após essa reversão judicial que o relato sobre o suposto episódio ocorrido na reunião com o secretário passou a circular entre policiais e em blogs e redes sociais, levantando questionamentos nos bastidores da segurança pública sobre o real motivo da denúncia feita pela delegada.