Algumas vidrarias aparecem em quase todo laboratório de química, seja de ensino, de controle de qualidade ou de pesquisa. O balão de fundo redondo é a peça típica de aquecimento, refluxo e destilação. A bureta é o instrumento de medição de volume usado nas titulações. Uma trabalha com calor e reações, a outra com precisão volumétrica, e cada uma tem regras próprias de uso.

Conhecer o formato, o material e as limitações dessas peças evita quebras, erros de leitura e resultados analíticos fora do esperado. Também ajuda na hora de comprar, porque modelos parecidos podem ter juntas, classes de tolerância e espessuras de parede bem diferentes.

Para que serve o balão de fundo redondo

O fundo esférico distribui o calor de forma uniforme e resiste melhor à pressão e às variações de temperatura do que um fundo plano. Por isso o balão de fundo redondo é usado em sínteses com refluxo, destilações simples e fracionadas, evaporação em rotaevaporador e reações sob vácuo. Ele é aquecido em manta aquecedora ou banho, e precisa de suporte, como anel de cortiça ou garra, porque não fica em pé sozinho.

Os volumes mais comuns vão de 25 mL a 5 L. Há versões de boca única e de duas, três ou quatro bocas, que permitem acoplar ao mesmo tempo condensador, funil de adição, termômetro e entrada de gás inerte. Quem precisa conferir modelos e capacidades pode consultar o Balão de fundo redondo para laboratório na Cotiglas, observando o tipo de junta e o número de bocas antes de definir a compra.

Material, juntas esmerilhadas e resistência

Balões para aquecimento são fabricados em vidro borossilicato 3.3, que tem baixo coeficiente de dilatação térmica e boa resistência química a ácidos, solventes e soluções neutras. O material é atacado por ácido fluorídrico e por soluções alcalinas concentradas e quentes, que desgastam a superfície com o tempo.

A boca normalmente tem junta esmerilhada cônica padronizada, identificada por dois números, como 24/40 ou 14/20, que indicam o diâmetro maior e o comprimento da junta em milímetros. Juntas do mesmo padrão se encaixam entre peças de fabricantes diferentes. Para evitar que travem, use uma camada fina de graxa de silicone ou luvas de PTFE, e nunca deixe uma junta montada com solução alcalina por longos períodos.

Como funciona a bureta graduada

A bureta é um tubo cilíndrico longo, graduado ao longo do corpo e com uma torneira na parte inferior, que controla a saída do líquido gota a gota. É usada para medir com exatidão o volume de titulante adicionado até o ponto de viragem do indicador ou até o ponto de equivalência medido por outro método. Os volumes mais usados são 10, 25 e 50 mL, com subdivisões de 0,05 ou 0,1 mL.

As torneiras podem ser de vidro esmerilhado ou de PTFE. A de PTFE dispensa graxa e não trava com soluções alcalinas, o que facilita a manutenção. Há também buretas com faixa de Schellbach, uma listra azul no fundo branco que torna a leitura do menisco mais nítida. A Bureta graduada em vidro vendida pela Cotiglas está disponível em diferentes capacidades e tipos de torneira, o que permite escolher conforme o tipo de titulação feita no laboratório.

Classes de tolerância e leitura correta

Buretas seguem a norma ISO 385 e são vendidas em classe A e classe B. A classe A tem tolerância menor e é indicada para análises quantitativas e controle de qualidade. Em uma bureta de 50 mL classe A, a tolerância típica é de 0,05 mL, enquanto a classe B costuma ter o dobro disso. Para trabalhos rastreáveis, prefira peças com certificado de calibração por lote ou individual.

A leitura deve ser feita com os olhos na altura do menisco, para evitar erro de paralaxe. Em soluções incolores, lê-se a base do menisco. Em soluções escuras, como permanganato de potássio, lê-se a borda superior. Antes de iniciar, a bureta deve ser ambientada com a própria solução titulante, e a ponta precisa estar livre de bolhas de ar, que alteram o volume medido.

Limpeza, armazenamento e segurança

A limpeza começa logo após o uso, com o solvente adequado ao resíduo e, depois, detergente neutro de laboratório e água destilada. Escovas de cerdas macias ajudam no balão, mas não devem ser usadas com força na bureta, para não riscar a graduação. Vidraria volumétrica não deve ir à estufa em temperaturas altas, porque o aquecimento pode alterar o volume calibrado. A secagem é feita ao ar ou com solvente volátil.

Antes de aquecer um balão, verifique se há trincas em estrela, lascas na junta ou riscos profundos, que podem causar ruptura. Nunca aqueça um sistema fechado, use pedras de ebulição para evitar ebulição tumultuosa e preencha o balão até no máximo metade da capacidade nas destilações. Buretas devem ser guardadas na vertical, em suporte próprio, com a torneira aberta quando forem de vidro, para não colar.