Um crime chocante abalou o município de Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro. Um adolescente de 14 anos foi apreendido após confessar ter assassinado os pais e o irmão de apenas 3 anos. Os corpos foram encontrados na manhã desta quarta-feira (26), dentro de uma cisterna na residência da família, localizada na zona urbana da cidade. O caso está sendo investigado pela 143ª Delegacia de Polícia (DP), que trata o adolescente como autor de ato infracional análogo a triplo homicídio e ocultação de cadáver.

O desaparecimento da família foi inicialmente comunicado à polícia na terça-feira (25), quando a avó paterna levou o garoto à delegacia. Ela relatou que tentava contato com o filho e a nora desde sábado, sem sucesso. Ao ser questionado, o adolescente contou uma versão fantasiosa: afirmou que o irmão teria se engasgado com um caco de vidro, e que os pais o levaram às pressas a um hospital usando um carro de aplicativo, sem nunca mais retornar.

Diante da inconsistência do relato, a polícia iniciou uma busca por registros hospitalares na cidade, mas não encontrou nenhuma informação sobre a suposta emergência. A partir disso, foi solicitada perícia na residência da família, onde os agentes encontraram manchas de sangue no colchão do casal, roupas ensanguentadas e com sinais de queimadura. Um forte odor no quintal levou os peritos até a cisterna, onde estavam os corpos das vítimas.

Confrontado com as evidências, o adolescente confessou o crime. Segundo o delegado Carlos Augusto Guimarães, ele afirmou ter matado os pais com tiros na cabeça e o irmão com um disparo no pescoço. Questionado sobre o motivo de matar a criança, respondeu que foi para “poupá-lo da perda dos pais”.

Motivações sob investigação

A polícia trabalha com duas possíveis motivações. A primeira envolve um relacionamento virtual que o adolescente mantinha com uma menina de 15 anos, residente no Mato Grosso. O namoro, conhecido pelos pais, era desaprovado. Segundo o depoimento do jovem, a garota teria pressionado para que ele fosse até seu estado, e a proibição da viagem pela família teria sido o estopim para o crime. Durante a perícia, os investigadores encontraram uma bolsa pronta para viagem, contendo os celulares das vítimas.

A segunda hipótese surgiu após a análise do celular do adolescente, onde foi encontrada uma pesquisa sobre “como receber FGTS de falecido”. O pai teria direito a sacar R$ 33 mil. “Independentemente da motivação ser o namoro ou o dinheiro, ambas são consideradas fúteis e não justificam a brutalidade dos crimes”, declarou o delegado.

Crime foi premeditado

O adolescente revelou que dormia no quarto dos pais por ser o único com ar-condicionado. Na noite do crime, tomou um suplemento pré-treino para se manter acordado e aguardou a família dormir. A arma, que pertencia ao pai e ficava escondida debaixo do colchão, foi usada nos assassinatos. Após os crimes, ele limpou parte do sangue com produto de limpeza e arrastou os corpos até a cisterna, localizada a poucos metros do quarto.

A arma foi posteriormente encontrada na casa da avó, que disse tê-la recolhido por precaução, sem saber da gravidade dos fatos.

Segundo o delegado, o jovem demonstrou frieza durante todo o depoimento. “Não mostrou arrependimento. Disse que faria tudo de novo. É um garoto frio, com respostas rápidas, tentando se afirmar como homem. Há indícios de traços psicopáticos”, afirmou.

O adolescente foi apreendido e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil do Rio de Janeiro mantém contato com as autoridades do Mato Grosso para localizar e ouvir a adolescente envolvida no caso.