A vereadora Tatiana Teixeira Medeiros (PSB), de Teresina, foi condenada pela Justiça Eleitoral, nesta segunda-feira (27), a 19 anos, 10 meses e sete dias de prisão por envolvimento em um esquema criminoso que inclui organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.

Segundo a decisão, a parlamentar liderava um esquema de compra de votos nas eleições de 2024. Tatiana está presa desde abril de 2025, e o tempo de detenção — já superior a um ano — será contabilizado para o cumprimento da pena.

Além da condenação, a Justiça decretou a perda do mandato eletivo e determinou a proibição do exercício de qualquer cargo ou função pública. A defesa afirmou que a sentença é “absolutamente injusta” e informou que irá recorrer da decisão.

A Câmara Municipal de Teresina declarou que ainda não foi oficialmente notificada e, por isso, não se manifestará no momento.

Esquema e provas

De acordo com a investigação, Tatiana coordenava as ações do grupo criminoso, distribuindo funções e estabelecendo critérios de atuação. Arquivos extraídos de celulares dos investigados revelaram mensagens que indicavam a exigência de comprovantes de votação, além de listas organizadas por zona e seção eleitoral com anotações como “pago/PIX/ok”.

A Justiça também apontou inconsistências financeiras relevantes. Entre 2022 e 2024, a vereadora movimentou mais de R$ 2,1 milhões, apesar de ter declarado renda formal de pouco mais de R$ 33 mil no mesmo período. A análise fiscal identificou um aumento superior a 300% nos créditos no ano eleitoral, com valores acima de R$ 1 milhão sem comprovação documental.

Outro ponto destacado na sentença foi o uso do Instituto Vamos Juntos, que recebia recursos públicos e atuava em comunidades carentes. Segundo a decisão, a entidade teria sido utilizada como fachada para captar eleitores, com supostos beneficiários sendo orientados a votar na parlamentar.

Outros condenados

Além de Tatiana Medeiros, outras sete pessoas foram condenadas por participação no esquema, incluindo familiares e assessores:

  • Alandilson Cardoso Passos (namorado): 16 anos, 8 meses e 11 dias
  • Stênio Ferreira Santos (padrasto): 13 anos, 11 meses e 26 dias
  • Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe): 14 anos, 2 meses e 5 dias
  • Emanuelly Pinho de Melo (assessora): 7 anos, 9 meses e 26 dias
  • Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã): 7 anos, 9 meses e 26 dias
  • Bruna Raquel Lima Sousa (funcionária da ONG): 6 anos, 11 meses e 30 dias
  • Sávio de Carvalho França (funcionário da ONG): 9 anos, 5 meses e 27 dias

Os condenados também deverão pagar, solidariamente, multa mínima de R$ 1 milhão por reparação de danos.

Já Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da vereadora, foi absolvido das acusações por falta de provas suficientes.

A sentença reforça o entendimento da Justiça Eleitoral sobre a gravidade dos crimes praticados e o impacto direto no processo democrático.