O vereador Raimundo Leonel passou a ser alvo de denúncia junto ao Ministério Público do Maranhão após manter seu gabinete fechado em plena segunda-feira, durante o horário regular de funcionamento da Câmara Municipal de Codó. O caso ganhou repercussão depois que o jornalista Leonardo Alves esteve na sede do Legislativo em busca de informações de interesse público e encontrou a porta do parlamentar fechada, sem qualquer atendimento à população ou à imprensa.

A situação foi registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais, onde o jornalista questionou a ausência de funcionamento do gabinete em dia útil e horário de expediente, ressaltando que a estrutura mantida com recursos públicos deve estar a serviço da sociedade. A crítica central recai sobre a responsabilidade do parlamentar e de sua assessoria em garantir atendimento regular à comunidade.

Durante sessão legislativa, Raimundo Leonel justificou o fechamento afirmando que sua equipe estaria envolvida nos preparativos para uma inauguração no povoado São Benedito dos Colocados. A explicação, no entanto, levantou ainda mais questionamentos. Para o denunciante, a justificativa revela possível confusão entre as atribuições do Poder Legislativo e as atividades típicas do Executivo municipal.

Leonardo Alves sustenta que assessores parlamentares, remunerados com recursos do Legislativo, não devem desempenhar funções ligadas à organização de eventos da Prefeitura, sob pena de caracterizar desvio de função e afronta aos princípios da administração pública. Ele também aponta que cada poder deve atuar dentro de suas competências constitucionais, sob risco de comprometer a legalidade e a transparência da gestão pública.

O episódio ganhou novos contornos quando o vereador ingressou com ação judicial contra o jornalista e seus assessores em razão da divulgação do caso. Em resposta, Leonardo protocolou denúncia contra o parlamentar e sua equipe, solicitando investigação rigorosa sobre possível abuso de poder. O jornalista classifica a iniciativa judicial como tentativa de intimidação e destaca que a liberdade de imprensa é um princípio garantido pela Constituição Federal.

O caso agora aguarda análise do Ministério Público, enquanto o debate sobre responsabilidade, transparência e uso adequado da estrutura pública volta ao centro das discussões políticas em Codó.