O vereador de Bom Princípio do Piauí, Jacinto Costa Moraes (MDB), foi condenado a 25 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável. O julgamento aconteceu na terça-feira (2), na Vara Única da Comarca de Buriti dos Lopes. Desde maio, ele já se encontrava preso na Penitenciária Mista Juiz Fontes Ibiapina, em Parnaíba, no litoral do estado.

A condenação é referente ao abuso sexual de uma adolescente, que teria começado em 2018, quando a vítima tinha cerca de 11 anos. O caso havia sido arquivado em 2021, mas foi reaberto em 2025 após a apresentação de novas provas.
Inicialmente, Jacinto foi denunciado por abusar de duas irmãs adolescentes. O inquérito que investigava um dos casos foi arquivado, restando a condenação pelo crime contra apenas uma das vítimas.
De acordo com o Ministério Público do Piauí (MPPI), responsável pela denúncia, Jacinto utilizava sua condição financeira para manipular a vítima e constranger familiares. A Polícia Civil destacou que o crime foi denunciado por terceiros e que a influência política e econômica do vereador pode ter levado familiares a se omitirem.
“Ele as conquistava e se aproveitava desse poder econômico para manter essa relação de abusador. As famílias acabavam sendo, entre aspas, coniventes, porque são pessoas pobres, que não denunciam por medo ou por receberem algum benefício”, explicou o delegado Herbster Santos, em maio deste ano.
Suspeita de atrapalhar outra investigação
Em 2024, Jacinto também se tornou alvo de outra apuração. O parlamentar, que à época era presidente da Câmara Municipal de Bom Princípio do Piauí, é suspeito de ter usado o cargo para atrapalhar as investigações sobre o estupro de uma menina de 13 anos, caso que tem como investigado o ex-vereador Zé do Chico Bento (DC).
Segundo o promotor de Justiça Yan Walter, Jacinto teria formado uma associação com dois conselheiros tutelares e uma assistente social para forjar uma visita à casa da vítima e produzir um relatório falso, entregue ao MPPI. Além disso, o grupo teria pressionado familiares da adolescente para que prestassem declarações inverídicas.
O suposto esquema foi descoberto após a apreensão do celular de Zé do Chico Bento, revelando indícios da tentativa de obstrução das investigações.

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