O União Brasil decidiu, nesta segunda-feira (8), expulsar o ministro do Turismo, Celso Sabino, após o político descumprir a determinação da sigla para que filiados deixassem cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida encerra meses de tensão interna e já era considerada provável desde setembro, quando o partido anunciou oficialmente seu desembarque da gestão federal — decisão que mirou principalmente Sabino, mas preservou indicados sem mandato.

A expulsão foi confirmada em reunião da cúpula partidária e ocorre após uma série de movimentações do ministro para permanecer no cargo. Sabino chegou a entregar uma carta de demissão ao presidente Lula, mas voltou atrás e decidiu continuar à frente do Ministério do Turismo. No fim de novembro, o Conselho de Ética do União Brasil recomendou a expulsão do ministro, dissolveu o diretório do Pará — até então comandado por Sabino — e instituiu uma comissão provisória para administrar o partido no estado.

O conflito entre Sabino e a direção nacional se intensificou após declarações de um piloto que apontou o presidente da sigla, Antonio Rueda, como suposto proprietário de aeronaves usadas pelo PCC. Rueda negou as acusações. Parte do União Brasil passou a enxergar influência do Palácio do Planalto na divulgação do caso, uma vez que um dos envolvidos tinha vínculos com a comunicação pública. Como reação, a legenda orientou que filiados que ocupavam cargos no governo Lula deixassem suas funções.

Apesar da pressão, Celso Sabino trabalhou nos bastidores para seguir no ministério. No Pará, seu estado de origem, ele é um dos principais articuladores da COP30, prevista para ser realizada em Belém em 2025, evento considerado estratégico para sua projeção política. Licenciado do mandato de deputado federal, o ministro via a conferência como vitrine eleitoral e resistiu à saída do governo.

Com a decisão desta segunda-feira, o União Brasil confirmou a quebra de relação com o ministro, que seguirá no cargo, mas agora sem vínculo partidário. O governo Lula ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.