O Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), que tem como vice-presidente o petista Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou ao governo, no início de 2023, autorização para ampliar os descontos de mensalidades diretamente nos benefícios pagos pelo INSS. Entre os pedidos feitos estava a liberação para que os descontos pudessem atingir até mesmo o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o que é proibido por lei. A solicitação, porém, não foi atendida.

O ofício foi assinado por João Batista Inocentini, então presidente do sindicato, e encaminhado ao então ministro da Previdência, Carlos Lupi — que deixou o cargo após a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Inocentini faleceu em agosto de 2023. Atualmente, a presidência do Sindnapi está sob o comando de Milton Cavalo.

A Polícia Federal investiga o sindicato por suspeitas de irregularidades relacionadas aos descontos em aposentadorias. De acordo com dados do Tribunal de Contas da União (TCU), entre 2021 e 2023 o número de filiados à entidade saltou de 170 mil para 420 mil. No mesmo período, o faturamento do sindicato passou de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões.

Mesmo diante desses indícios, o Sindnapi não foi incluído na investigação interna conduzida pelo INSS para apurar possíveis irregularidades em convênios com entidades sindicais.

Além dos pedidos de descontos no Bolsa Família e no BPC, o sindicato também solicitou ao governo a renovação automática das filiações, autorização para oferecer serviços por meio do aplicativo INSS Digital e o desbloqueio automático de benefícios, o que facilitaria a realização dos descontos. Em nota, o sindicato alegou que as solicitações refletiam demandas comuns a outras entidades representativas e que o sistema do INSS enfrentava falhas técnicas.