Após mais de cinco horas de debates, o Senado Federal encerrou, nesta terça-feira (14), os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado sem a aprovação de um relatório final. O texto, apresentado pelo senador Alessandro Vieira, foi rejeitado por seis votos a quatro.

O relatório previa o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. Caso aprovado, o documento poderia abrir caminho para eventuais processos de impeachment no Senado.
Durante a discussão, houve divergência entre os parlamentares sobre o foco da investigação. Parte dos senadores criticou a ausência de indiciamentos diretamente ligados a organizações criminosas, citando nomes como Roberto Campos Neto e Daniel Vorcaro, mencionados ao longo das apurações envolvendo o Banco Master.
Também foi rejeitada uma tentativa de votação separada apenas do trecho que tratava dos indiciamentos, mantendo as propostas de mudanças legislativas. O presidente da comissão, Fabiano Contarato, optou por submeter o relatório completo à análise dos parlamentares.
Instalada em novembro de 2025, a CPI investigou a atuação do crime organizado no país, incluindo ocupação territorial, lavagem de dinheiro e possível infiltração em estruturas públicas. Ao longo dos trabalhos, decisões do STF — como concessões de habeas corpus e anulações de provas — foram apontadas por alguns integrantes como entraves às investigações.
Senadores contrários ao relatório alegaram falta de comprovação de dolo nas condutas atribuídas às autoridades e criticaram o que classificaram como desvio de finalidade da comissão. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou que apoiaria apenas as propostas legislativas.
Houve ainda críticas à condução dos trabalhos, incluindo alterações na composição da comissão no dia da votação. Parlamentares da oposição classificaram as mudanças como manobras políticas para impedir a aprovação do texto.
Sem consenso, a CPI encerra suas atividades sem um documento final aprovado, apesar de ter realizado 18 reuniões, ouvido 19 depoentes e analisado mais de 300 requerimentos ao longo de cerca de cinco meses.

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