O Maranhão enfrenta uma das piores estiagens dos últimos anos, com 78 municípios já afetados diretamente pela escassez de chuvas. O alerta foi feito pelo Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão (Nugeo/Uema), que classificou a situação como grave e com impactos severos para o meio ambiente, a economia e a saúde pública.

Segundo o Monitor de Secas, ferramenta nacional que avalia os efeitos da estiagem no país, boa parte do território maranhense encontra-se no nível S2, correspondente à seca grave — estágio anterior à seca extrema. O cenário é visível em diversas regiões: rios e poços com volumes drasticamente reduzidos, pastagens comprometidas e perdas significativas na produção agrícola, especialmente nas culturas de subsistência.

A região centro-leste do estado é, até o momento, a mais afetada. Em muitos municípios, já há racionamento de água tanto para o consumo humano quanto para atividades produtivas como irrigação e criação de animais. A prolongada falta de chuvas, somada às altas temperaturas, tem acelerado o colapso hídrico em áreas rurais e urbanas.

Especialistas do Nugeo alertam que, sem medidas urgentes de contenção e adaptação, a situação tende a se agravar nas próximas semanas. No interior do estado, onde a agricultura de subsistência é a principal fonte de renda de milhares de famílias, a seca pode provocar impactos sociais ainda mais profundos.

Além das perdas econômicas e ambientais, os efeitos da estiagem já são sentidos na saúde da população. O Ministério da Saúde emitiu alerta para o aumento de casos de desidratação e doenças respiratórias, agravadas pela baixa umidade do ar e pelo crescimento das queimadas, comuns neste período de seca intensa.

A crise escancara os efeitos locais da emergência climática e evidencia a fragilidade das políticas públicas voltadas para o enfrentamento da escassez hídrica no Maranhão. Diante do avanço da estiagem, especialistas e lideranças comunitárias cobram ações imediatas dos governos estadual e federal para evitar um colapso no abastecimento de água e preservar o equilíbrio ambiental das regiões afetadas.