A Câmara Municipal de Codó está no centro de uma nova polêmica envolvendo o uso de recursos públicos. Uma despesa autorizada pelo presidente da Casa, Francisco Roberto de Araújo Albuquerque, conhecido como Roberto Cobel, provocou indignação e levantou questionamentos sobre prioridades administrativas e respeito ao dinheiro do contribuinte.

A decisão consta na Dispensa de Licitação nº 008/2026, publicada no Diário Oficial da Câmara nesta segunda-feira (02). O documento ratifica a contratação da empresa José Mario Pereira de Jesus, com sede no município de Ribeira do Amparo, na Bahia, para o fornecimento de kits de carteiras tradicionais em couro legítimo, com brasão da República, destinadas ao uso exclusivo dos vereadores. O valor total do contrato é de R$ 64.173,00.

O que mais chama atenção é o custo individual do item. Codó possui apenas 19 vereadores, o que faz com que cada carteira saia pelo valor de R$ 3.377,53 por parlamentar. Trata-se de um acessório de uso pessoal e simbólico, sem qualquer impacto direto no funcionamento administrativo da Câmara ou na atividade legislativa, mas que será integralmente pago com dinheiro público e certamente tem o objetivo de inflar o ego dos parlamentares.

O gasto se torna ainda mais controverso quando comparado à remuneração dos próprios beneficiados. Cada vereador do município recebe cerca de R$ 11 mil mensais, além de 13º salário e férias remuneradas. Mesmo com salários considerados elevados para a realidade local, a Mesa Diretora optou por custear, com recursos do contribuinte, um item de luxo avaliado em mais de R$ 3 mil para cada parlamentar.

Em um município que figura entre os piores índices de desenvolvimento humano do país, a decisão é vista por muitos como um desrespeito à população. Enquanto comunidades enfrentam carências históricas em áreas básicas como saúde, educação e infraestrutura, o Legislativo municipal escolhe investir em conforto pessoal e acessórios caros.

Enquanto isso, os vereadores poderão circular pelas ruas da cidade ostentando “estilo”, financiado justamente por quem mais sofre com a ausência de ações efetivas do poder público.