Uma reportagem publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria feito contatos diretos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação do Banco Master, instituição financeira controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. A informação ganhou ampla repercussão nesta segunda-feira (22).

De acordo com a coluna, Moraes teria procurado Galípolo ao menos quatro vezes — três contatos telefônicos e um encontro presencial — com o objetivo de interceder em favor do banco, que enfrenta sérios problemas financeiros e é alvo de investigações que resultaram na prisão de Vorcaro, em novembro, por suspeita de envolvimento em uma fraude bilionária. O empresário foi solto dias depois, mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
Ainda segundo a publicação, durante as conversas o ministro teria defendido o Banco Master e demonstrado apreço pessoal por Vorcaro. Moraes também teria solicitado que o Banco Central desse apoio a uma operação envolvendo o BRB (Banco de Brasília), que adquiriu produtos de investimento considerados irregulares do Banco Master, apontado como o centro do esquema investigado.
A reportagem menciona ainda que o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci, manteve contratos com o Banco Master. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por um período de três anos, totalizando cerca de R$ 129 milhões. Esse vínculo profissional é citado como parte do contexto analisado pelas fontes ouvidas pelo jornal.
Conforme relatado, Galípolo teria informado Moraes sobre a gravidade das fraudes detectadas na instituição financeira. Após tomar conhecimento dos detalhes, o ministro teria reconhecido que não havia viabilidade para a concretização do negócio envolvendo o Banco Master e o BRB.
Procurada, a assessoria do Supremo Tribunal Federal informou não ter dados sobre o episódio. O Banco Central também não se manifestou até o momento, assim como o escritório de advocacia citado na reportagem.
O caso envolve uma investigação que apura uma suposta fraude de aproximadamente R$ 12 bilhões. Daniel Vorcaro foi preso no dia 18 de novembro, no âmbito da Operação Compliance Zero, e deixou a prisão no dia 29 do mesmo mês. As apurações indicam que o Banco Master teria criado carteiras de crédito de forma artificial e repassado esses ativos ao BRB, inflando a instituição para evitar sua liquidação.
Inicialmente conduzida pela Justiça Federal em Brasília, a investigação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal por decisão do ministro Dias Toffoli, que atendeu a um pedido da defesa de Vorcaro e determinou que, de forma provisória, os próximos atos do caso fiquem sob responsabilidade do STF.

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