Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à CPMI do INSS, identificou indícios de prática de “rachadinha” envolvendo ex-assessores do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA). Até janeiro deste ano, ele ocupava o cargo de secretário da Pesca no governo do Maranhão.

De acordo com o Relatório de Inteligência Financeira (RIF), dois ex-assessores do parlamentar apresentaram movimentações consideradas suspeitas. Um deles, Helioenay Rodrigues de Sousa, teria sacado praticamente a totalidade dos valores recebidos como salário, o que levanta suspeitas de uso da conta para circulação de recursos de terceiros, além de possível tentativa de burlar o fisco.

Situação semelhante foi identificada em relação a Magno Moreira Pinto Júnior, que também realizava saques frequentes em espécie, em valores que dificultam a identificação do destino final do dinheiro — padrão típico associado a esquemas de “rachadinha”, segundo o relatório.

O documento também menciona o próprio deputado, apontando que Edson Cunha de Araújo realizava depósitos em dinheiro de forma fracionada, prática que pode indicar tentativa de evitar o rastreamento por órgãos de controle.

Outro ponto que chama atenção no relatório envolve a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade da qual Araújo é vice-presidente. Mesmo sem funcionários registrados, a organização teria recebido ao menos R$ 221 milhões provenientes de descontos em benefícios de aposentados do INSS. A Controladoria-Geral da União (CGU) avalia que a entidade não possui capacidade operacional para prestar os serviços que justificariam tais cobranças, o que levanta suspeitas de fraude.

Além das movimentações suspeitas, o parlamentar também se envolveu em polêmica recente com o deputado Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPMI. Ao ser questionado sobre possíveis vínculos financeiros com a CBPA, Araújo reagiu com mensagens de tom agressivo, nas quais chamou o colega de “palhaço, irresponsável e incompetente”, além de insinuar um possível confronto futuro.

As suspeitas se intensificam diante da discrepância entre a movimentação bancária e a renda declarada do deputado. Apenas em 2024, enquanto ainda era secretário, passaram por suas contas R$ 112,3 milhões. No entanto, sua declaração de Imposto de Renda registra rendimentos de cerca de R$ 972 mil — o equivalente a apenas 1,1% do total creditado.

No período de 2023 a 2025, o volume total movimentado por Edson Cunha de Araújo chega a R$ 173 milhões, ampliando os questionamentos sobre a origem dos recursos.

Procurado na tarde desta quinta-feira, o deputado não respondeu aos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação.