A Receita Federal estabeleceu novas diretrizes para a declaração de ganhos com apostas online no Imposto de Renda de 2026, referentes ao ano-base de 2025. A medida formaliza a obrigatoriedade de informar tanto os valores recebidos quanto os saldos mantidos em plataformas digitais, ampliando o controle sobre esse tipo de atividade.

De acordo com as regras, devem declarar os contribuintes que tiveram ganhos acima de R$ 28.467,20 ao longo de 2025 em apostas de quota fixa ou loterias. Também entram na exigência aqueles que possuíam saldo superior a R$ 5 mil em contas de apostas em 31 de dezembro.
Os ganhos devem ser informados na ficha de rendimentos tributáveis, enquanto os valores mantidos nas plataformas devem constar na ficha de bens e direitos, que passou a contar com um código específico para esse tipo de ativo. A Receita também criou um campo próprio para declarar esses rendimentos, refletindo a regulamentação mais recente do setor.
A tributação incide sobre o chamado prêmio líquido anual, calculado a partir da diferença entre valores apostados e recebidos. Quando o total ultrapassa o limite estabelecido, aplica-se uma alíquota de 15% sobre o excedente. O contribuinte pode utilizar formulários disponibilizados pela Receita para apuração dos valores e, se necessário, parcelar o imposto devido.
O prazo de envio da declaração vai de 23 de março a 29 de maio, seguindo o calendário oficial. A inclusão dessas regras ocorre em um contexto de maior organização do setor, que também impacta práticas como apostas no Brasileirão, uma das modalidades mais recorrentes entre usuários.
Dados da casa de apostas KTO indicam que o futebol lidera com ampla margem entre os esportes mais populares em 2025, concentrando 64% dos usuários ativos e 88% das apostas realizadas.
Outras modalidades aparecem com participação menor, como basquete, com 12% dos usuários e 5% das apostas, e tênis, com 7% em ambos os indicadores. A preferência pelo futebol também se reflete nos campeonatos mais escolhidos: as apostas no Brasileirão foram responsáveis por quase 10% das apostas registradas na KTO.
Após as apostas no Brasileirão, a preferência dentro do mercado nacional se dividiu entre ligas internacionais como Premier League, com 5%, e La Liga, com 4%. Competições nacionais também aparecem na sequência, como a Série B, com 4%.
No segmento de cassino online, os dados mostram concentração significativa nos slots, responsáveis por 93% das rodadas realizadas em 2025. Os chamados crash games aparecem em segundo lugar, com 5%, seguidos por roleta, com 1%, e outras categorias com participação inferior.
Entre os títulos individuais, jogos como Fortune Tiger lideram com 39% de popularidade, seguidos por Fortune Rabbit, com 34%. O Aviator se destaca no mercado de crash games e ocupa a primeira posição, com 12% de popularidade. O jogo também registrou um dos maiores multiplicadores do ano, chegando a mais de 31 mil vezes o valor apostado em fevereiro.
A mecânica desse tipo de jogo, baseada em decisões em tempo real antes da interrupção do multiplicador, contribui para sua difusão. Ainda assim, estudos indicam que os resultados são determinados por sistemas aleatórios, sem possibilidade de previsão consistente.
O avanço da regulamentação também se reflete nos números de arrecadação. Em 2025, as empresas do setor recolheram cerca de R$ 9,95 bilhões em tributos federais, incluindo impostos como IRPJ, CSLL e contribuições sociais.
Esse montante inclui ainda valores destinados a políticas públicas, que somaram R$ 4,5 bilhões, conforme previsto na legislação vigente. A arrecadação também foi complementada por aproximadamente R$ 2,5 bilhões em outorgas pagas pelas operadoras e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização.
No mesmo período, o governo registrou 25,2 milhões de pessoas realizando apostas no país, indicando a dimensão do mercado regulado. O conjunto desses dados aponta para um cenário de maior formalização, com impacto direto tanto na fiscalização quanto na obrigatoriedade de declaração por parte dos contribuintes.

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