Brasil deve registrar mais de 780 mil casos de câncer até 2028.

A quimioterapia é um dos tratamentos mais conhecidos no combate ao câncer. Ela é realizada por meio do uso de medicamentos capazes de destruir ou impedir a multiplicação das células cancerígenas, conforme definição do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

 

A ciência oncológica busca compreender cada vez melhor a quimioterapia, investigando como o aprimoramento dessas substâncias pode interferir no crescimento celular desordenado. Em alguns casos, o objetivo do tratamento é eliminar completamente as células cancerígenas. Em outros, busca-se reduzir o tamanho do tumor antes de uma cirurgia, facilitando sua remoção. A quimioterapia também pode ser utilizada para controlar a progressão da doença, retardando o crescimento tumoral e reduzindo a disseminação das células cancerígenas pelo organismo, processo conhecido como metástase.

 

Segundo a oncologista clínica Fernanda Frozoni Antonacio, a quimioterapia atua de forma sistêmica, ou seja, em todo o corpo. Isso ocorre porque os medicamentos circulam pela corrente sanguínea e podem atingir células tumorais que migraram para outras regiões do organismo. De modo geral, os quimioterápicos atuam principalmente sobre células que se dividem rapidamente — característica típica das células cancerígenas, mas também presente em algumas células saudáveis.

 

Segundo projeções do Inca, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Além da quimioterapia, é importante que os pacientes conheçam outras abordagens terapêuticas, como a ablação, a imunoterapia e a radioterapia.

Entenda os diferentes tipos de quimioterapia

 

A duração da quimioterapia pode variar de paciente para paciente, dependendo do tipo de câncer, do estágio da doença e dos objetivos do tratamento. De forma geral, a quimioterapia pode ser classificada em curativa, adjuvante, neoadjuvante e paliativa.

Quimioterapia curativa

Tem como objetivo erradicar completamente o câncer do organismo. É indicada quando há possibilidade de cura e pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com cirurgia e/ou radioterapia, conforme o tipo e o estágio do tumor.

Quimioterapia adjuvante

É realizada após a cirurgia para eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes que não são detectáveis em exames. Seu principal objetivo é reduzir o risco de recidiva da doença.

Quimioterapia neoadjuvante

É administrada antes da cirurgia ou da radioterapia, com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor. Isso pode facilitar o tratamento local, aumentar as chances de ressecção completa e, em alguns casos, permitir a preservação de órgãos.

Quimioterapia paliativa

É indicada em situações em que a cura não é possível. Seu objetivo é controlar a doença, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Definido o tipo de quimioterapia, o médico avalia individualmente o esquema de tratamento, incluindo o número de ciclos, os intervalos e a via de administração mais adequada para cada paciente.

Entre as principais formas de administração estão: via intravenosa, na qual o medicamento é aplicado diretamente na veia, frequentemente com o uso de cateter; via oral, com comprimidos ou cápsulas; via subcutânea, aplicada sob a pele; e via intramuscular, aplicada no músculo. Em situações específicas, também podem ser utilizadas vias tópicas (para tumores de pele) e vias regionais.

Além disso, existem formas especiais de administração, como a via intratecal, na qual o medicamento é aplicado no líquido cefalorraquidiano (líquor), geralmente por punção lombar ou dispositivos específicos, especialmente em alguns tipos de câncer que acometem o sistema nervoso central.

O tratamento pode ser feito com um único medicamento (monoterapia) ou com a combinação de vários quimioterápicos (poliquimioterapia), estratégia bastante comum na prática oncológica. Esses medicamentos podem causar efeitos colaterais porque, além de atingirem as células tumorais, também afetam células saudáveis que apresentam alta taxa de divisão.

Entre os efeitos colaterais mais frequentes estão fadiga, perda de apetite, náuseas e vômitos, diarreia ou constipação, boca seca, alterações na pele e nas unhas, insônia, dificuldade de concentração, lapsos de memória, queda de cabelo e redução das células do sangue, como os glóbulos brancos, o que pode aumentar o risco de infecções.

A duração do tratamento depende de diversos fatores, incluindo o tipo de câncer, os medicamentos utilizados e a resposta do paciente. A quimioterapia costuma ser administrada em ciclos, com períodos de aplicação seguidos de intervalos de descanso, que permitem a recuperação do organismo e das células saudáveis.

 

Ablação

A ablação é outra opção terapêutica utilizada no tratamento de alguns tipos de câncer. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, geralmente guiado por métodos de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada, que tem como objetivo destruir o tumor por meio de diferentes formas de energia.

Dependendo do caso, a destruição do tumor pode ocorrer por calor (radiofrequência ou micro-ondas), frio (crioablação) ou substâncias químicas. A escolha da técnica depende do tipo de tumor, do seu tamanho e da sua localização.

Esse tipo de tratamento é frequentemente utilizado em tumores primários de fígado, pulmão e rim, além de metástases localizadas nesses órgãos, especialmente em pacientes selecionados.

 

Imunoterapia

A imunoterapia é uma abordagem mais recente no tratamento do câncer e tem como objetivo estimular o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e combater as células tumorais.

Esse tratamento inclui diferentes estratégias, como o uso de anticorpos monoclonais, inibidores de checkpoints imunológicos e outras terapias que modulam a resposta imune. Tem apresentado resultados especialmente relevantes em tumores como melanoma, câncer de pulmão, câncer renal, linfomas e alguns tipos de leucemia.

A imunoterapia também pode ser utilizada em combinação com outros tratamentos, como a quimioterapia, com o objetivo de aumentar a eficácia terapêutica.

Segundo a médica oncologista clínica da Rede D’or, Fernanda Frozoni Antonácio, em muitos casos a imunoterapia pode ser mais bem tolerada do que a quimioterapia tradicional, embora isso varie de paciente para paciente. Outro ponto importante é a possibilidade de personalização do tratamento, baseada nas características do tumor e do indivíduo.

A imunoterapia também pode causar efeitos colaterais. Como esse tratamento estimula o sistema de defesa do organismo, ele pode acabar reagindo não apenas contra o tumor, mas também contra tecidos saudáveis. Por isso, é essencial que cada caso seja avaliado com cuidado, considerando riscos e benefícios. Entre os efeitos possíveis estão reações na pele, cansaço, sintomas gastrointestinais, inflamações em órgãos internos e, em algumas situações, o desenvolvimento de doenças autoimunes.

 

Radioterapia

A radioterapia é um tratamento que utiliza radiações ionizantes, como os raios X, para destruir as células tumorais ou impedir sua multiplicação. Ela pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outros tratamentos, como cirurgia, quimioterapia e imunoterapia.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de metade dos pacientes com câncer recebe radioterapia em algum momento do tratamento, e ela tem papel importante tanto na cura quanto no controle da doença.

O número de sessões varia de acordo com o tipo de tumor, sua localização, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente. A radioterapia é indicada para diversos tipos de câncer, como os de próstata, mama, pulmão, colo do útero, cabeça e pescoço, cérebro, esôfago e reto.

Existem diferentes formas de aplicação da radioterapia. A mais comum é a radioterapia externa, também chamada de teleterapia, na qual a radiação é emitida por um aparelho externo direcionado ao local do tumor. Geralmente, as aplicações são feitas de forma diária, ao longo de várias semanas.

Outra modalidade é a braquiterapia, em que fontes radioativas são colocadas próximas ou dentro do tumor, por meio de aplicadores específicos. Esse tipo de tratamento pode ter diferentes esquemas de aplicação, que variam conforme o tipo de câncer e a técnica utilizada, podendo ocorrer em sessões únicas ou múltiplas.