Uma nova polêmica envolvendo a educação e comunidades quilombolas ganhou força em Codó nesta quinta-feira (14). O Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM) divulgou uma dura nota de repúdio contra a possível transferência da Escola Municipal Sebastiana Moreira de Queiroz, localizada no território quilombola Santa Maria dos Moreiras.

Segundo o documento, a mudança estaria sendo articulada pela Prefeitura de Codó, com apoio da Indicação nº 87/2026, apresentada pelo vereador Araújo Neto (PP). A denúncia afirma que a escola, que funciona há mais de 30 anos dentro da comunidade, poderá ser levada para uma área pertencente à Fazenda FC Agropecuária, ligada ao atual prefeito do município.
Na nota, o movimento acusa a gestão municipal de usar a estrutura pública para beneficiar interesses privados e afirma que a retirada da escola representa uma afronta aos direitos territoriais da comunidade quilombola. O texto também questiona a justificativa ambiental usada para defender a transferência da unidade escolar.
“A comunidade compreende que tais discursos ambientais vêm sendo utilizados de forma conveniente para legitimar decisões políticas que ameaçam nosso território”, afirma trecho da nota.
O MOQUIBOM ainda denuncia que há, há cerca de quatro anos, uma pressão política para retirar a escola do controle social da comunidade, apontando suposto interesse em transformar a unidade em instrumento de favorecimento político e empregabilidade de aliados.
Outro ponto levantado pelo movimento é a acusação de práticas clientelistas dentro da escola, com indicações políticas sucessivas no quadro de funcionários, situação que, segundo a entidade, seria incompatível com uma gestão democrática.
A Escola Municipal Sebastiana Moreira de Queiroz é considerada pelos moradores um patrimônio histórico e simbólico do território quilombola Santa Maria dos Moreiras. A comunidade afirma que não aceitará a retirada da unidade e promete resistência contra qualquer tentativa de mudança.
Até o momento, a Prefeitura de Codó e o vereador citado na nota não se manifestaram oficialmente sobre as acusações.

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