A Polícia Federal convocou o senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado histórico do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, para prestar depoimento na investigação que apura supostas fraudes envolvendo descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Operação Sem Desconto investiga um esquema que teria desviado mais de R$ 6 bilhões para associações e sindicatos por meio de cobranças irregulares nos benefícios previdenciários.

Rocha, que nega qualquer envolvimento, está ligado ao caso por sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central no esquema. Segundo as investigações, Antunes teria tido acesso ao gabinete e à residência do senador.

O escritório do parlamentar confirmou um encontro com Antunes, mas alegou que ele se apresentou falsamente como representante do setor farmacêutico.

As apurações indicam possíveis conexões políticas mais amplas, com relatos de que até 15 parlamentares do Congresso podem estar envolvidos no esquema, que incluía repasses mensais obrigatórios a deputados e senadores.

A Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que apoiou a campanha de Weverton Rocha, também está sob investigação por contratos de longa data com o INSS. Embora o senador ainda não seja formalmente investigado, deve prestar esclarecimentos nos próximos dias.

Caso pode ser enviado ao STF

Caso surjam evidências suficientes para acusações formais, o processo poderá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado do senador.

O escândalo tem causado grande repercussão no Congresso, onde já se discute a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar as investigações.

A operação da PF expõe a complexidade dos esquemas envolvendo descontos indevidos e levanta dúvidas sobre a influência política em contratos do INSS.

Enquanto o caso avança, a sociedade acompanha atentamente os desdobramentos, que podem afetar a imagem de importantes figuras políticas e a gestão do sistema previdenciário brasileiro.