Criada pela Mnova, Auditoria Popular usa agentes de inteligência artificial para fazer pesquisas em grandes bases de dados e mostra como uma nova geração da tecnologia pode ampliar o acesso à informação pública

Investigar milhões de registros de gastos públicos, comparar despesas eleitorais ou procurar inconsistências em grandes bases de dados sempre exigiu conhecimento técnico, domínio de ferramentas de análise e muitas horas de trabalho. Uma nova geração de inteligência artificial começa a mudar esse cenário ao permitir que parte desse processo seja realizada por agentes que pesquisam, cruzam informações, avaliam resultados e definem novos caminhos de investigação.

Para demonstrar o potencial dessa tecnologia, a Mnova, consultoria especializada em inteligência artificial, dados e tecnologia aplicada aos negócios, criou a Auditoria Popular, plataforma que permite investigar informações públicas por meio de perguntas feitas em linguagem natural.

Na primeira versão, a ferramenta reúne dados de cartões corporativos do governo federal, receitas e despesas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e verbas parlamentares. O usuário pode fazer perguntas, comparar informações, localizar transações e procurar padrões em bases que somam dezenas de gigabytes de dados históricos. Para usar a plataforma, basta acessar o site.

Segundo Fernando Casanova, sócio-diretor a Mnova, a iniciativa surgiu da intenção de demonstrar uma capacidade que avançou significativamente nos últimos anos: o uso da inteligência artificial para explorar e investigar grandes volumes de dados.

“Queríamos mostrar o poder da IA para explorar informações, procurar inconsistências, encontrar insights e produzir análises. Decidimos aplicar essa capacidade a dados públicos brasileiros e criar uma ferramenta que também tivesse utilidade para a sociedade”, afirma Casanova.

A diferença em relação aos sistemas tradicionais de consulta está na autonomia dos agentes de inteligência artificial. Em vez de apenas localizar informações a partir de comandos previamente definidos, o agente pode interpretar o objetivo da pesquisa, elaborar estratégias de busca, avaliar os resultados encontrados e modificar o caminho da investigação conforme surgem novas evidências.

“Além de mostrar dados, o agente consegue pesquisar de maneiras diferentes, avaliar o que encontrou, tentar novos caminhos e identificar indícios que merecem ser investigados. Ao final, ainda pode fazer uma análise qualitativa das informações reunidas”, explica Casanova.

Acesso facilitado

A Mnova já pesquisava aplicações de inteligência artificial voltadas à exploração de grandes volumes de informações. A criação da Auditoria Popular surgiu da decisão de aplicar esse conhecimento a um problema concreto: facilitar o acesso da sociedade às bases públicas brasileiras.

Para usar a plataforma não é preciso conhecer programação, bancos de dados ou a estrutura técnica das informações disponíveis. Basta conversar com o agente de inteligência artificial. Uma pessoa pode, por exemplo, perguntar quais despesas foram declaradas por determinado candidato, comparar gastos eleitorais ou procurar uma transação específica. A ferramenta interpreta a solicitação e realiza a investigação nas bases disponíveis.

“A grande proposta é permitir que uma pessoa comum explore dados sem precisar entender como eles estão estruturados ou saber programar. Ela conversa com a inteligência artificial como conversaria com um especialista e tem um agente trabalhando para investigar aquelas informações”, explica Casanova.

A ferramenta não tem como objetivo produzir conclusões automáticas ou substituir o trabalho de jornalistas, pesquisadores e órgãos de fiscalização. A proposta é ampliar a capacidade de investigação, tornando bases complexas mais acessíveis e permitindo que mais pessoas formulem perguntas e procurem informações de interesse público.

Conhecimento para gerar transformação

A Auditoria Popular funciona também como uma demonstração prática de como agentes de inteligência artificial podem explorar grandes volumes de dados. A mesma tecnologia utilizada para investigar bases públicas pode ser aplicada em empresas para analisar informações, identificar padrões, localizar inconsistências e apoiar processos de tomada de decisão.

A versão atual da Auditoria Popular permite consultas abertas sobre cartões corporativos do governo federal, receitas e despesas eleitorais registradas no TSE e verbas parlamentares. Novas bases públicas deverão ser incorporadas progressivamente.

(Crédito: Adobstock)