Quase um ano após a morte do adolescente Cleison Martins da Silva, de 14 anos, ocorrida em 25 de fevereiro de 2025, em Aroazes (PI), a família intensifica o pedido para que o caso seja reaberto. Inicialmente tratado como suicídio por enforcamento, o episódio ganhou novos contornos após a divulgação de um parecer técnico independente que aponta para possível homicídio com simulação de suicídio.

A tia do jovem, Maria do Desterro Lima, relata que horas antes da morte recebeu mensagens do sobrinho pedindo R$ 150 para consertar uma peça da moto do padrasto que teria quebrado. Minutos depois, ele enviou um áudio chorando e se despedindo. Pouco tempo depois, veio a notícia de que o adolescente teria tirado a própria vida.

Inconformada, a família contratou o perito criminal aposentado Ricardo da Silva Salada, de São Paulo, especialista em criminologia, para analisar o vídeo que supostamente mostraria o momento que antecedeu o enforcamento. No parecer técnico, o especialista descreve que a gravação mostra uma corda fixada por um nó na estrutura do telhado e, na outra extremidade, um nó corrediço. Segundo ele, é possível observar, a partir de determinado momento do vídeo, uma terceira pessoa pegando a corda e acomodando o nó no pescoço do adolescente.

O laudo afirma ainda que Cleison aparece com os olhos fechados e aparentemente desacordado, sem qualquer reação. Para o perito, se o próprio adolescente estivesse realizando a filmagem, estaria com os olhos abertos e olhando para a câmera. A conclusão do parecer é direta: trata-se de “homicídio com simulação de suicídio” ou homicídio com suspensão corporal provocada por pessoa não identificada na gravação.

Veja o vídeo sensível:

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Além do conteúdo do laudo, a família denuncia falhas graves na investigação. Segundo os parentes, o adolescente estava apenas com o padrasto no momento da ocorrência. O vereador João Francisco, que teria sido a segunda pessoa a ver o corpo e ainda tentou socorrer o jovem, não foi ouvido. O mesmo ocorreu com o policial militar que atendeu a ocorrência e com a enfermeira que atestou a morte.

A família também afirma que não houve perícia no local e que fotografias feitas por policiais militares não foram anexadas ao processo. Diante das inconsistências, os parentes pedem que a Polícia Civil designe um novo delegado para reabrir o caso, realizar novas oitivas e confrontar o laudo independente com eventual exame de exumação.

Para a família, o que foi encerrado como suicídio pode esconder um crime ainda não esclarecido — e quase um ano depois, a principal pergunta continua sem resposta: o que realmente aconteceu com Cleison?