A Justiça absolveu Lucélia Maria da Conceição Silva, de 53 anos, acusada de envenenar dois irmãos de oito e sete anos no município de Parnaíba, litoral do Piauí. A decisão foi proferida na segunda-feira (13), quase um ano após o caso que chocou o estado.

Lucélia havia sido presa em agosto de 2024, logo após a morte das crianças Ulisses Gabriel da Silva, de 8 anos, e João Miguel da Silva, de 7. Ela permaneceu quase cinco meses presa e chegou a ter a prisão convertida em preventiva, sendo libertada apenas em 13 de janeiro, depois que exames laboratoriais descartaram a presença do veneno nos cajus que, segundo a investigação inicial, ela teria oferecido às crianças.

O episódio ocorreu no residencial Dom Rufino, onde as vítimas moravam com a mãe, Francisca Maria da Silva, de 32 anos. Na tarde de 23 de agosto de 2024, os meninos teriam recebido um saco de cajus da vizinha antes de sair para brincar. Pouco tempo depois, João Miguel passou mal, apresentando tontura, pele arroxeada e vômito. O irmão mais velho também começou a ter os mesmos sintomas e ambos foram levados ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, sendo depois transferidos para Teresina em uma aeronave do Samu.

João Miguel morreu no dia 28 de agosto, enquanto Ulisses faleceu em 10 de novembro, após quase dois meses internado.

Na época, a prisão de Lucélia se baseou em suspeitas antigas de desavenças com vizinhos e em relatos de envenenamento de animais na região. Revoltados, moradores chegaram a incendiar a casa dela.

Entretanto, o laudo pericial isentou Lucélia de qualquer envolvimento, descartando a presença do veneno nos cajus entregues às crianças. A partir desse resultado, o Ministério Público pediu sua absolvição, que foi confirmada pela Justiça.

O caso ganhou novos desdobramentos após a prisão de Francisco de Assis Pereira da Costa, padrasto da mãe das crianças, apontado como principal suspeito de envenenar um baião de dois consumido por quase toda a família em 1º de janeiro deste ano. O episódio resultou na morte de quatro pessoas, incluindo a mãe dos meninos, um tio e uma irmã das vítimas.

Com a nova linha de investigação, o caso do envenenamento dos irmãos foi reaberto, e agora as suspeitas também recaem sobre Francisco, que está preso preventivamente enquanto a Polícia Civil continua as investigações.