Crescimento da migração interna no Brasil aumenta atenção a custos de moradia, emprego e infraestrutura
Em torno de 36,9% da população brasileira já vive em um município diferente daquele em que nasceu. O Censo Demográfico de 2022 revela que mais de um terço dos brasileiros já mudou de cidade ao longo da vida, sendo São Paulo o estado com o maior número de residentes vindos de outros locais. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística alertam que a migração interna exige planejamento e organização, especialmente na escolha do imóvel em um período de aumento na média dos preços.
Preços de aluguel ou venda de imóvel é um dos aspectos principais para considerar no caso de mudança. Para se ter uma ideia de como isso pode pesar, dados do índice FipeZAP apontam que os valores de aluguel subiram cerca de 9,44% em 2025 no Brasil. A porcentagem é mais do que o dobro da inflação oficial (IPCA), que ficou em 4,26% no mesmo período. Já os preços de venda de imóveis residenciais no país cresceram aproximadamente 6,52% no ano passado. Em cenários como esse, a avaliação da moradia em que se vai viver deve ser prévia e levar em conta também a distância até o local do trabalho ou dos estudos, custo de vida, segurança e comércio ao redor.
Enquanto a preocupação sobre os valores de venda e aluguel de imóveis cresce no mercado tradicional, o cenário de leilões oferece custos reduzidos e pode ser uma opção para quem vai se mudar e quer comprar o imóvel de destino. Dados da Associação Brasileira dos Arrematantes de Imóveis indicam que, somente no primeiro semestre do ano passado, 116,6 mil propriedades foram leiloadas no Brasil. Nesse mesmo período de 2024, o número havia sido menor: 44 mil. Diferentes tipos de imóveis são colocados em leilão em São Paulo, a cidade mais populosa do país e polo empregatício e estudantil.
O leilão de imóveis do Bradesco disponibiliza casas e apartamentos localizados em diferentes municípios. Para os brasileiros que pensam em mudar de cidade, o catálogo auxilia na definição da moradia e permite o planejamento financeiro detalhado. Torna-se uma solução também para pessoas que vivem em domicílios alugados. Cerca de 20,9% da população brasileira vive nessa situação, o que estimula 33% desse grupo a mudar de residência nos próximos anos, conforme o IBGE.
Pesquisar sobre a cidade em que se quer morar antecipa o entusiasmo ou a decepção. Entender quais são as condições de mobilidade, segurança e barulho no município desejado interfere na decisão da mudança. O Rio de Janeiro abriga 6,7 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, e é uma opção de cidade para quem gosta de programação cultural, desde museus até teatros. Diferentes opções de imóveis estão em leilão no RJ.
Planejamento das finanças com ou sem emprego
Informações do IBGE apontam que 10,7% dos brasileiros, cerca de 9,3 milhões de pessoas, se deslocam diariamente entre municípios em razão do seu trabalho. Esse movimento pendular acaba antecipando-os quanto às diferenças de gasto em transporte, alimento e saúde. No entanto, o planejamento financeiro completo ajuda a reduzir surpresas com valores extras desde o deslocamento, com frete e embalagem dos pertences, até as contas diárias, como de energia elétrica e água.
Por outro lado, caso o emprego não esteja garantido na outra cidade, a dúvida que deve ser considerada por quem quer se mudar é de onde a renda mensal virá. O desemprego no Brasil chegou a 5,2% no trimestre encerrado em novembro do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar de o percentual estar em um nível historicamente baixo, a realidade local pode ser diferente e complexa dependendo da cidade ou região, alerta.
Atenção à saúde e à educação no destino
A mudança também desafia o brasileiro na matrícula escolar das crianças em uma nova instituição de ensino. O Ministério da Educação explica que cabe aos pais ou responsáveis garantir a frequência escolar das crianças e adolescentes no Brasil, onde aproximadamente 8,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos haviam deixado o colégio sem concluir o ensino médio em 2024, conforme o IBGE.
Além da moradia e trabalho, a saúde é um fator decisivo na mudança de cidade. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE) sinalizam que 71,1% dos brasileiros utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS), o que reforça a importância de avaliar a oferta de UBS, hospitais e tempo de atendimento no município de destino.
Informações do Ministério da Saúde indicam ainda que mais de 96% das Unidades Básicas de Saúde contam com médicos nas equipes, mas a distribuição é desigual entre as regiões. Conhecer a estrutura local de saúde ajuda a evitar dificuldades no acesso a consultas, exames e atendimentos de rotina após a realização da mudança.
Condição da segurança pública
A segurança pública também deve entrar no planejamento de quem pretende mudar de cidade. Dados do Atlas da Violência 2024, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que o Brasil registrou 45.747 homicídios em 2023, o equivalente a uma taxa de 21,2 mortes por 100 mil habitantes, a menor dos últimos 11 anos.
Apesar da redução nacional, os números de violência variam significativamente entre estados e municípios. O próprio levantamento indica que há cidades com taxas de violência muito acima da média brasileira, o que reforça a importância de consultar indicadores locais de segurança pública antes da mudança, já que o fator interfere diretamente na rotina, na escolha do bairro e na qualidade de vida.

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