O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, confirmou nesta segunda-feira (9) a veracidade dos depoimentos prestados à Polícia Federal e reconheceu a existência de grupos que discutiam a possibilidade de um golpe de Estado para manter o ex-presidente no poder após as eleições de 2022.

Cid foi o primeiro a ser interrogado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que iniciou a fase de oitivas da ação penal que apura a tentativa de ruptura institucional no país. Durante o depoimento, realizado sob condução do ministro Alexandre de Moraes, o militar relatou que diversas pessoas, com ideias conservadoras e até radicais, procuravam Bolsonaro individualmente para apresentar propostas relacionadas ao plano golpista.
“Esses grupos não eram organizados, eram pessoas individualmente que apresentavam suas ideias e se aproximavam do presidente. Não era organizado. Não eram pessoas que iam juntas para falar, era individual. Iam duas, três vezes e depois, às vezes, não apareciam mais”, afirmou Mauro Cid.
Apesar de confirmar que presenciou “grande parte dos fatos”, o tenente-coronel afirmou que não participou ativamente das articulações e negou ter sido coagido a colaborar com a Justiça, destacando que sua delação foi voluntária.
Cid foi o primeiro a ser ouvido por ter firmado acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Ao longo da semana, os demais réus devem ser interrogados, em ordem alfabética. Jair Bolsonaro, que figura como um dos principais investigados, deve prestar depoimento entre terça-feira (10) e quarta-feira (11).
O julgamento marca a primeira vez em que Bolsonaro e seus ex-auxiliares mais próximos — apontados como integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de golpe — se encontram pessoalmente desde o fim do governo. As oitivas devem prosseguir até a próxima sexta-feira (13), com expectativa de novos desdobramentos no caso que envolve um dos episódios mais graves da história recente da democracia brasileira.

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