Depois de quase 20 dias sem qualquer notícia, a família do maranhense Rafael Paixão, de 29 anos, viveu um misto de alívio e angústia no último sábado (28), ao receber uma breve mensagem enviada pelo jovem por aplicativo de mensagens. Recrutado como voluntário para o exército da Ucrânia, Rafael estava desaparecido desde o início de junho. “Oi mãe, estou vivo graças a Deus, mas estou em missão”, escreveu ele.

A comunicação trouxe algum consolo para a mãe, Neila Paixão, que descreveu o drama vivido nas últimas semanas como uma verdadeira tortura emocional. “Foi muita angústia, noites sem dormir. A gente chegou a ouvir que ele poderia estar morto. Só quem é mãe entende essa dor”, desabafou ela em entrevista ao g1.
Rafael, que deixou o curso de Direito em uma faculdade de Imperatriz (MA) para tentar a vida na Europa, viajou para a Holanda em agosto de 2024 ao lado da namorada. Após o término do relacionamento, acabou sendo influenciado por colegas estrangeiros e decidiu se alistar como voluntário no exército ucraniano, atuando em uma unidade de resgate especializada em áreas de alto risco.
De acordo com Neila, o filho está atualmente em uma região minada, onde qualquer tentativa de fuga pode ser fatal. “Ele está lá contra a vontade. Disse que quer voltar, mas que só sai num carro-tanque, porque a área é perigosa demais. Se tentar sair sozinho, pode morrer pisando numa mina”, afirmou.
Durante o período de desaparecimento, a família buscou ajuda por todos os meios. Chegaram a agendar reuniões com autoridades em Brasília, procuraram a Embaixada da Ucrânia e até cogitaram enviar um dos irmãos de Rafael à zona de conflito. O apoio da Embaixada Brasileira em Kiev, segundo Neila, foi constante, mas sem informações concretas. “A única certeza que nos deram foi de que ele estava morto”, relata.
Com a repercussão do caso, a família recebeu apoio de diversas pessoas, inclusive figuras públicas, o que ajudou a pressionar por respostas. Apesar do reencontro virtual, a apreensão persiste. Rafael teria informado que os militares querem enviá-lo para uma nova missão, contra sua vontade, e ainda não há previsão de retorno ao Brasil.
“Estamos vivendo um desespero constante. O alívio por ele estar vivo não é completo enquanto ele não voltar para casa. Mas seguimos com fé”, afirma a mãe.
O caso expõe não apenas os perigos enfrentados por estrangeiros que se alistam em zonas de guerra, mas também a fragilidade dos canais diplomáticos em situações extremas como essa. Enquanto isso, a família Paixão segue aguardando ansiosamente por uma rota segura que traga Rafael de volta ao Maranhão.

Se ele quis ir pra lá pra defender a Ucrânia, ele tem que acatar as decisões dos seus superiores, não existe essa de não querer ir. Ele é de maior, influência pode existir, mas à decisão é só dele.