O médico Isisnaldo Silva Correia, já denunciado por atuar em partos de alto risco sem registro de especialização em obstetrícia, volta a ser alvo de acusações graves relacionadas à sua conduta no Hospital Geral Municipal (HGM) de Codó. Uma mulher que prefere não se identificar relatou à nossa reportagem o drama que viveu em fevereiro deste ano, quando estava grávida de seis meses e precisou de atendimento de urgência.

Segundo a denúncia, no dia 8 de fevereiro, por volta das 22h30, a gestante chegou ao HGM perdendo grande quantidade de líquido amniótico. Ao ser atendida pelo médico Isisnaldo, ela afirma ter sido tratada com descaso: “Ele chegou estressado, me colocou numa sala desativada, em cima de uma cama sem colchão e sem lençol, e pediu que eu deitasse para ver a cor do líquido que estava saindo. Não me orientou em nada, só mandou internar”, disse.

A paciente conta que o médico sequer utilizou equipamentos adequados durante o exame, improvisando com o celular de uma estagiária para iluminar o procedimento. “Ele não explicou a situação, só disse que era para eu me internar, porque se ele mandasse eu ir para casa e acontecesse algo, a culpa cairia sobre ele”, relatou.

Mesmo com a perda contínua de líquido, a mulher afirma que passou dias apenas recebendo dipirona e antibióticos, enquanto os profissionais verificavam os batimentos do bebê a cada 30 minutos. No dia 9 de fevereiro, foi submetida a um ultrassom no HGM, mas, segundo ela, o exame não detectou alterações. “Disseram que estava tudo bem, mas meu bebê já não se mexia mais”, disse.

Dias depois ela recebeu alta, apesar de continuar perdendo líquido. Preocupada, buscou atendimento em Timbiras, onde médicos constataram a gravidade do caso e providenciaram transferência imediata para São Luís.

“Cheguei lá com meu bebê quase sem vida. Passei por uma cesariana de emergência. Graças a Deus meu filho sobreviveu e hoje está com seis meses de vida. Mas se eu tivesse esperado pela saúde de Codó, ele não estaria aqui”, desabafou a mãe.

O relato reforça as denúncias de má conduta e negligência no HGM, que já enfrenta repercussão nacional após a morte de um bebê decapitado durante parto mal-sucedido em agosto. Os casos aumentam a pressão sobre a diretoria do hospital, comandada por Rossana Araújo, esposa do vereador Leonel Filho, e levantam novos questionamentos sobre a atuação do médico Isisnaldo Silva Correia.