A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas confirmou, nesta quinta-feira (30), a apreensão de 77 barras de ouro, totalizando 72,6 quilos e avaliadas em cerca de R$ 45 milhões, durante uma operação realizada por equipes da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), da Polícia Militar, em Manaus. Trata-se da maior apreensão de ouro já registrada na história do estado.

Seis pessoas foram presas em flagrante, entre elas dois policiais militares e um policial civil, todos fora de serviço. O policial civil detido foi identificado como Fellipe Pinto Ferreira, chefe de investigação do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Já os PMs presos são o cabo Gilson Luna de Farias e o cabo Antonio Temilson de Souza Aguiar, que estavam afastados das funções — um por motivo de saúde e o outro por ter sido preso em 2024 por porte ilegal de arma de fogo.
Segundo o comandante-geral da PM, coronel Klinger Paiva, a operação começou após uma denúncia feita pelo 190, informando que uma família estaria sendo mantida refém dentro de uma residência. “As equipes chegaram ao local e encontraram quatro pessoas rendidas. Lá estavam dois policiais militares e um policial civil, o que imediatamente levantou suspeitas”, relatou.
Durante a revista no imóvel, os policiais encontraram barras de ouro escondidas no tanque de combustível de um veículo que seria usado para transportar o material pela cidade. Além do ouro, foram apreendidos armas, munições, coletes balísticos, celulares, dinheiro em espécie e dois carros, sendo um deles blindado e outro com fundo falso.
De acordo com a apuração da Rede Amazônica, o ouro é de origem venezuelana, o que reforça a suspeita de um esquema de contrabando internacional. O material foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal (PF), que assumiu a investigação para apurar a origem do ouro e a participação de outros servidores públicos.
O delegado-adjunto da Polícia Civil do Amazonas, Guilherme Torres, afirmou que medidas administrativas e investigativas já foram adotadas. “Será instaurado um inquérito policial. A Polícia Civil não compactua com condutas irregulares de servidores. A PF investigará o envolvimento de outros agentes públicos nesse esquema ilegal de comercialização de ouro”, declarou.
O corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública, coronel Franciney Bó, destacou a postura exemplar dos policiais da Rocam. “Mesmo diante de colegas de farda, eles cumpriram a lei e realizaram as prisões. A apuração será isenta e rigorosa. Não vamos compactuar com desvios de conduta”, afirmou.
Até então, a maior apreensão de ouro no Amazonas havia ocorrido em dezembro de 2023, quando a Polícia Federal interceptou 47 quilos do metal na capital. Em nível nacional, o maior caso foi registrado em agosto de 2025, com a apreensão de 103 quilos de ouro pela PRF, em Boa Vista (RR).
Com a descoberta em Manaus, o caso entra para a história como a maior apreensão de ouro já feita no Amazonas — e uma das maiores do país, agora marcada também pelo envolvimento de agentes públicos em um dos episódios mais graves de corrupção e contrabando do estado.

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