A Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta terça-feira (22), a prisão preventiva do rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam. A decisão foi tomada após um episódio conturbado envolvendo o artista e policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que realizaram uma operação em sua residência, localizada no Joá, Zona Oeste da capital.

Segundo a Polícia Civil, a ação foi motivada por informações de que um adolescente ligado ao Comando Vermelho estaria abrigado na casa do cantor. O menor é apontado como segurança pessoal de Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, uma das lideranças da facção criminosa, e também como integrante da chamada “Equipe do Ódio”, grupo acusado de envolvimento em diversos roubos.
Durante a abordagem, o adolescente foi localizado e colocado em uma viatura, mas conseguiu fugir após uma confusão generalizada, com relatos de agressões, xingamentos e até pedras arremessadas contra os agentes. Oruam teria reagido com violência e foi indiciado por desacato, resistência qualificada, lesão corporal, ameaça, dano ao patrimônio público, associação para o tráfico e tráfico de drogas.
Em vídeos postados nas redes sociais, o rapper aparece confrontando os policiais e acusando-os de abuso de autoridade:
“Tem mais de 20 viaturas na minha casa. O mesmo delegado que me prendeu. Eu estava saindo e colocaram a pistola na minha cara. Claro que ele vai querer prender nós porque nós é filho de bandido”, afirmou.
Após o episódio, Oruam teria se refugiado no Complexo da Penha, na Zona Norte, onde gravou outro vídeo desafiando a polícia:
“Eu quero ver você vir aqui. Me pegar aqui dentro do complexo. Não vai me pegar, sabe por causa de quê? Que vocês peida”, disse, acrescentando: “Eu sou filho do Marcinho.”
O comportamento do rapper gerou reações enérgicas por parte das autoridades. O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, que Oruam tem ligação direta com o Comando Vermelho e o classificou como “marginal da pior espécie”.
“Se alguém tinha dúvida se era um artista periférico ou um marginal, está claro: é um marginal”, declarou.
O caso levanta mais uma vez o debate sobre a relação entre alguns artistas do cenário do rap nacional e o crime organizado, além da glamorização de figuras criminosas nas redes sociais. Enquanto isso, a polícia continua a caçada ao adolescente foragido e Oruam poderá ser preso a qualquer momento.

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