Após três dias de debates intensos no Fórum Criminal da Barra Funda, o policial militar Henrique Otávio Oliveira Velozo foi absolvido, nesta sexta-feira (14), da acusação de assassinar o oito vezes campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo. O júri reconheceu a tese de legítima defesa apresentada pela defesa do PM, que estava preso desde 2022 no presídio militar Romão Gomes.

O crime ocorreu em 7 de agosto de 2022 no Clube Sírio, na Zona Sul da capital paulista, durante um show, quando Lo, de 33 anos, foi baleado na cabeça. Socorrido e levado ao hospital, o atleta não resistiu. Velozo se apresentou à Corregedoria horas depois e permaneceu detido desde então.
Julgamento marcado por adiamentos e tensão
O julgamento, iniciado na quarta-feira (12) no plenário 6, foi o desfecho de um processo marcado por adiamentos. A primeira data prevista — maio de 2025 — foi cancelada antes mesmo da abertura, após a defesa alegar cerceamento. Remarcado para agosto, o júri voltou a ser suspenso por determinação judicial devido a um bate-boca entre promotores e advogados.
Desta vez, o julgamento avançou. Nove testemunhas foram ouvidas ao longo dos três dias, entre defesa e acusação, além do próprio réu, que depôs nesta sexta-feira. A Promotoria sustentava que o PM atirou para matar e defendia uma pena mínima de 20 anos, apoiada nas três qualificadoras atribuídas ao crime: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ainda assim, ao menos quatro dos sete jurados — cinco mulheres e dois homens — votaram pela absolvição. Coube à juíza Fernanda Jacomini, da 1ª Vara do Júri, oficializar a decisão.
Reações ao veredito
A defesa comemorou o resultado. “A Justiça prevaleceu e o arbítrio foi afastado”, declarou o advogado Cláudio Dalledone Jr., representante de Velozo, que já teve o alvará de soltura expedido. A data em que deixará o presídio militar ainda não foi confirmada.
A mãe de Leandro, Fátima Lo, lamentou o desfecho e anunciou que recorrerá. “Não teve justiça”, afirmou. O promotor João Carlos Calsavara classificou o júri como “complicado, com nulidades” e disse acreditar que a decisão será anulada em instâncias superiores.
Reintegração à PM
Em paralelo ao avanço do processo criminal, a Justiça comum anulou, em outubro, o ato do governo paulista que havia demitido Velozo da Polícia Militar. O PM foi reintegrado à corporação e voltou a receber salário — mais de R$ 14 mil mensais. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o Estado ainda não foi formalmente intimado sobre a decisão, e a PM preferiu não comentar o caso.
O legado de Leandro Lo
Considerado um dos maiores atletas da história do jiu-jítsu, Leandro Lo conquistou oito títulos mundiais ao longo de uma década. Ele venceu pela primeira vez em 2012, na categoria peso-leve, e alcançou seu último título em 2022, competindo no meio-pesado. Em suas redes sociais, classificava essas conquistas como as mais importantes de sua carreira.
A absolvição de Henrique Velozo encerra uma etapa, mas não o caso. Com recursos anunciados e questionamentos sobre o julgamento, a disputa jurídica deve continuar nos tribunais.

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