Um trecho decisivo do inquérito policial que apura o caso envolvendo o perito médico da Polícia Civil do Piauí, Ivanenko Ullianov Santos Batista, derruba por completo a narrativa usada pelo próprio policial para justificar sua ação armada em Codó (MA). Ele, que já foi indiciado pela Polícia Civil do Maranhão pelos crimes de roubo majorado pelo emprego de arma de fogo e ameaça, agora vê sua versão perder ainda mais credibilidade.

O despacho, assinado pela delegada Vilene de Sousa Rodrigues, da Delegacia Especial da Mulher de Codó, afirma de forma categórica que o advogado Germano Brandão NÃO descumpriu qualquer medida protetiva relacionada à ex-companheira Talita Sereno Maranhão. Segundo a autoridade policial, não existem evidências de violação de ordem judicial, nem qualquer elemento que caracterize violência doméstica ou familiar.

Ou seja: não havia motivo legal algum para que o policial do Piauí interviesse, muito menos para sacar uma pistola Glock 9mm, dar voz de prisão, intimidar vítimas e exigir a entrega de um documento sob mira de arma — conduta que culminou em seu indiciamento por roubo majorado (pela subtração do documento) e ameaça, segundo o relatório final do inquérito.

A investigação apontou ainda que a abordagem na Praça São Sebastião partiu exclusivamente do próprio Ivanenko, e não de uma suposta urgência por descumprimento de medida protetiva, como ele afirmou na praça, na delegacia e em vídeos posteriores divulgados nas redes sociais. O funcionário do cartório, que também teve a arma apontada para si, confirmou que não havia nenhuma irregularidade na assinatura do documento.

O comportamento agressivo do policial continuou mesmo após o episódio, com publicações em tom intimidatório nas redes sociais, reforçando o sentimento de medo nas vítimas e sendo devidamente anexadas ao inquérito.

Com o documento agora público, a conclusão é inquestionável:
Germano Brandão não descumpriu medida protetiva alguma — e a alegação usada pelo policial do Piauí para justificar a abordagem armada simplesmente não existia.

O caso, que já ganhou grande repercussão, agora segue para análise do Ministério Público, que deve oferecer denúncia com base nos crimes de roubo majorado e ameaça atribuídos ao perito médico.