Cerca de 500 indígenas de 14 povos do Maranhão participam, em Brasília, da 22ª edição do Acampamento Terra Livre, considerado o maior encontro de povos originários do país. A mobilização reúne representantes de aproximadamente 120 povos e acontece nas proximidades do Eixo Monumental.

Com o tema “O futuro não está à venda, a resposta somos nós”, o acampamento tem como principal objetivo pressionar autoridades por políticas públicas e pela garantia de direitos dos povos indígenas.
Coordenador das organizações indígenas da Amazônia Brasileira, Fabrício Guajajara detalhou a presença maranhense no evento. Segundo ele, delegações das regiões sul, centro-oeste e norte do estado estão representadas por povos como Guajajara, Canela, Gavião, entre outros.
“A gente veio aqui com três regiões (…) somando todos, estamos com aproximadamente 500 pessoas. Nós lutamos principalmente contra o Marco Temporal, que é uma ameaça grande aos territórios indígenas”, afirmou.
Entre as principais pautas da mobilização estão a defesa dos territórios, o combate à exploração mineral e o enfrentamento ao avanço do desmatamento. Liderança da Terra Indígena Caru, Rosilene Guajajara destacou a preocupação com invasões e crimes ambientais.
“Um dos principais pontos discutidos é sobre as invasões, o avanço acelerado do desmatamento dentro dos territórios indígenas. Isso preocupa todos, principalmente a mineração, os grileiros e fazendeiros”, declarou.
A violência nos territórios também foi apontada como um dos principais desafios. Coordenadora de lideranças do território Arariboia, Jacirene Guajajara relatou que os conflitos têm resultado em mortes de lideranças.
“Depois da desintrusão no nosso território, já teve recentemente um assassinato de uma liderança. (…) A gente perdeu muitos guardiões, com muito derramamento de sangue”, disse.
Ao longo da semana, as lideranças devem cumprir agenda no Congresso Nacional para apresentar reivindicações e dialogar com parlamentares. A programação do acampamento segue até sexta-feira.

Representante do povo Ka’apor, da Terra Indígena Alto Turiaçu, Iracadju Ka’apor destacou a importância da preservação territorial e cultural, ressaltando que a região mantém grande parte da floresta conservada e a língua indígena viva.
Além das pautas políticas, o evento também funciona como espaço de valorização cultural, com exposições de artesanato tradicional. A artesã Dorilene Rodrigues Guajajara destacou a diversidade da produção dos povos.
“É importante porque são muitos povos e cada um tem sua característica de trabalho. Nós, do Maranhão, também temos nosso trabalho específico, e é muito importante estar mostrando”, afirmou.

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