BRASÍLIA — A Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE) vem a público repudiar a postura da bancada da gestão, representada pela Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), durante a 101ª Reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS, realizada no dia 27/8/26.

A entidade patronal votou contrariamente à aprovação de uma Carta Aberta de Repúdio à “pejotização” da enfermagem, impedindo o consenso necessário para a publicação oficial do documento pelo colegiado.

Apesar do entendimento favorável de outros setores na mesa de negociação, a recusa da CNSaúde sepultou a deliberação conjunta. Para a presidenta da FNE, Solange Caetano, a decisão escancara o alinhamento patronal da entidade, que acumula histórico de oposição aos direitos da categoria — tendo tentado, inclusive, barrar judicialmente a implementação do Piso Salarial da Enfermagem.
“Precarização disfarçada de parceria”.

A FNE, por meio de sua diretora Milca Rego, que esteve na mesa de negociação, reforça que a contratação de profissionais da saúde sob a fachada de Pessoa Jurídica (PJ) não representa modernização ou liberdade de atuação, mas sim uma grave estratégia de precarização laboral, supressão de direitos trabalhistas e exploração disfarçada.

“Não aceitaremos que profissionais da linha de frente sejam tratados como simples CNJs enquanto enfrentam jornadas exaustivas e total falta de garantias trabalhistas e previdenciárias”, pontua.

Compromisso inegociável com o SUS

Diante do veto patronal, a FNE declara que seguirá firme na defesa da categoria. A Carta Aberta — que não pôde ser chancelada pela Mesa Nacional devido à resistência da gestão — será assumida integralmente pela entidade e suas bases.

A Federação Nacional dos Enfermeiros reafirma seu compromisso inegociável com o trabalho decente, com a valorização profissional e com a defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) público, forte e de qualidade.

“A enfermagem tem memória. A enfermagem tem voz. A enfermagem tem lado. E o nosso lado é o dos trabalhadores.”

(Crédito: Divulgação/FNE)