Fiéis de uma igreja localizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, denunciaram à Polícia Civil práticas disciplinares consideradas abusivas dentro da congregação. Os relatos apontam para um ambiente de controle rigoroso, com punições físicas, isolamento social e até suspeitas de crimes sexuais.

De acordo com as investigações, as medidas eram impostas pelo pastor David Gonçalves Silva, apontado como responsável por exercer forte influência sobre os frequentadores. Entre as punições relatadas está a obrigação de copiar repetidamente frases de submissão ao líder religioso como forma de correção.
O inquérito policial também descreve a aplicação de castigos físicos conhecidos como “readas”, que incluíam chineladas e chicotadas. A quantidade de golpes, segundo os depoimentos, era determinada pelo próprio pastor. Em um dos casos reunidos pela polícia, quatro pessoas teriam sido submetidas a dezenas de chicotadas após descumprirem regras internas.
As denúncias vão além. As apurações indicam que o local funcionava sob uma rotina de isolamento e vigilância constante. Jovens viviam em alojamentos, sem acesso a celulares, contato com familiares ou liberdade para sair desacompanhados. Termos como “piões” eram utilizados para designar os membros, enquanto os dormitórios eram chamados de “baias”.
Testemunhos também apontam para a instalação de câmeras em diversos ambientes, inclusive em locais considerados privados, o que teria contribuído para um cenário de pressão psicológica e controle comportamental dentro da instituição.
Além das acusações de agressão física, a Polícia Civil investiga suspeitas de abusos sexuais e estelionato. Segundo os relatos, homens e adolescentes estariam entre as principais vítimas. Uma das pessoas ouvidas afirmou que o líder utilizava argumentos religiosos para tentar justificar os abusos.
“Ele dizia que aquilo não era errado. Foram anos convivendo com isso. Hoje ainda luto para superar tudo o que vivi”, relatou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.
O pastor David Gonçalves Silva é investigado por estupro de vulnerável, estelionato e lesão corporal. Até o momento, ao menos cinco denúncias formais foram registradas.

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