Uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi presa na manhã desta sexta-feira (20), no Centro de Teresina (PI), suspeita de se passar por advogada para corromper servidores da Justiça do Amazonas e obter acesso a informações de processos sigilosos. A prisão faz parte da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas.

De acordo com as investigações, o grupo alvo da operação é suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional. A apuração aponta que o esquema teria ligação com a facção criminosa Comando Vermelho, que, segundo a polícia, mantinha um “núcleo político” com acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no Amazonas.
Segundo o delegado Tales Gomes, da Diretoria de Operações Policiais (Deop), responsável pelo cumprimento do mandado de prisão em Teresina, foram apreendidos no local aparelhos eletrônicos, anotações e o token de uma advogada regularmente inscrita na OAB do Amazonas (OAB-AM), que estaria sendo utilizado pela suspeita para acessar informações restritas.
Lucila foi interrogada e, em seguida, encaminhada ao sistema prisional.
A operação também cumpriu mandados nos estados de Minas Gerais, Ceará, Pará e Maranhão, além de Piauí e Amazonas. Entre os alvos estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.
Elo com o tráfico
As investigações indicam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a organização criminosa por meio de empresas de fachada. No total, segundo a polícia, a estrutura investigada teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018 — o equivalente a uma média de R$ 9 milhões por ano.
Ainda conforme a Polícia Civil, os suspeitos facilitavam a contratação de empresas fictícias nos setores de transporte e logística. Essas empresas seriam utilizadas para adquirir drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outros estados do país.
Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e outros crimes relacionados ao esquema.

Deixe um comentário