Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) das escolas estaduais do município de Codó denunciaram à redação que ficaram de fora da entrega de tablets realizada pelo Governo do Estado por meio do programa “Tô Conectado”. Segundo os relatos, apenas estudantes dos turnos matutino e vespertino foram contemplados, enquanto os da noite – em sua maioria trabalhadores que conciliam jornada dupla – não receberam o benefício.

As queixas expõem sentimento de injustiça e discriminação. Uma das estudantes afirma: “Estamos revoltados, porque também precisamos dos tablets para estudar. Eu mesma quero fazer faculdade, mas por que os de manhã e de tarde são melhores que nós? Tem um monte de tablet na escola e não deram para o turno da noite. Somos alunos e merecemos receber.”
Outra jovem do EJA de Codó reforça a denúncia, destacando o esforço diário dos estudantes noturnos: “Deram tablet aos da manhã e tarde, e os da noite são o cão? A gente se mata trabalhando o dia inteiro e não temos direito. O tablet ajuda e muito. E sem contar que tem gente que nem estuda mais e recebeu.”
A terceira estudante também criticou o tratamento desigual: “Excluíram de forma injusta o pessoal da noite. Na hora da eleição não fazem essa diferença quando querem votos. A maioria do EJA trabalha o dia todo e ainda estuda. O que chateia é a hipocrisia de nos deixarem de lado em premiações como esta.”
Diante da repercussão das denúncias dos estudantes codoenses, o jornalista Marco Silva procurou a diretora da Unidade Regional de Educação (URE), Jesus Rios, que confirmou que os alunos do EJA realmente não serão contemplados pelo programa.
“Os alunos do EJA não receberão de fato e todos sabiam que não iriam receber.”
A gestora afirmou ainda que a decisão é baseada em critérios pedagógicos definidos pela Secretaria de Estado da Educação (SEDUC/MA):
“O Programa Tô Conectado busca gerar oportunidades de estudos apenas para os alunos do ensino regular dos turnos matutino e vespertino. Os estudantes do EJA não podem receber os tablets em virtude de razões pedagógicas avaliadas pela SEDUC/MA.”
As falas oficiais, no entanto, não diminuem a indignação entre os alunos de Codó, que afirmam estar justamente entre os que mais necessitam de acesso digital, já que a maioria trabalha durante o dia e depende de recursos tecnológicos para acompanhar conteúdos, fazer pesquisas e concluir atividades.
A comunidade escolar de Codó agora aguarda um posicionamento mais detalhado da SEDUC/MA e possíveis revisões no programa.

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