Um escândalo de proporções alarmantes ameaça abalar os alicerces da política caxiense e comprometer de forma definitiva a imagem da chamada “Família Gentil”. O blog Joerdson Rodrigues revelou documentos e informações que expõem repasses milionários feitos pelas administrações do ex-prefeito Fábio Gentil e do atual prefeito Gentil Neto a uma empresa sediada no Piauí, a Mais Saúde Ltda, que enfrenta acusações criminais gravíssimas — incluindo tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

De acordo com os dados apurados, o valor total destinado à empresa chega à cifra impressionante de R$ 16.163.741,78 (dezesseis milhões, cento e sessenta e três mil, setecentos e quarenta e um reais e setenta e oito centavos). O problema é que a Mais Saúde Ltda não apenas está sob investigação, mas também teve suas atividades bloqueadas pela Justiça, conforme decisão judicial no processo nº 0860474-42.2023.8.10.0001.

Essa decisão é clara: a empresa encontra-se em total inoperância, com bens, valores e contas bancárias bloqueados, o que a impede de realizar pagamentos a fornecedores, funcionários ou prestar qualquer tipo de serviço. Ou seja, ela não poderia legalmente firmar contratos ou receber recursos públicos. Mesmo assim, a Prefeitura de Caxias manteve o fluxo de dinheiro para os cofres da empresa.

Na gestão de Fábio Gentil, foram repassados R$ 13.018.792,92 em um período em que a empresa já figurava como ré em processos criminais. A gravidade dos crimes imputados à Mais Saúde, somada à insistência da gestão municipal em manter contratos milionários, levanta suspeitas inquietantes sobre as reais motivações por trás dessas transações.

O escândalo, no entanto, não parou por aí. Já sob o comando de Gentil Neto, sucessor e herdeiro político do clã, a prefeitura deu continuidade aos contratos, realizando novos pagamentos que somam R$ 3.144.948,86 — ignorando completamente as determinações judiciais que impediam a empresa de operar.

A continuidade dos repasses reforça a suspeita de conivência ou negligência administrativa, e coloca as duas gestões sob o mesmo foco de desconfiança pública. Afinal, por que uma administração municipal manteria contratos com uma empresa acusada de crimes tão graves e impedida de atuar por ordem da Justiça?

O caso escancara uma possível aliança obscura entre o poder político e interesses privados suspeitos, utilizando recursos da saúde pública — um setor essencial e já fragilizado — para sustentar contratos questionáveis.

Enquanto a população de Caxias enfrenta dificuldades diárias na rede municipal de saúde, milhões de reais foram parar nas mãos de uma empresa judicialmente paralisada e criminalmente investigada.

A repercussão é imediata e inevitável: a sociedade cobra explicações urgentes da Família Gentil sobre como e por que uma empresa envolvida em crimes de tráfico e lavagem de dinheiro se tornou destinatária de recursos públicos do município.

O escândalo, que já repercute fortemente nos bastidores políticos, promete ser um divisor de águas na história recente de Caxias.