O ex-deputado federal Edilázio Júnior apagou todos os dados do próprio celular momentos antes de ser abordado por agentes da Polícia Federal durante a Operação 18 Minutos, que apura um esquema bilionário de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão. Segundo a PF, o gesto foi uma tentativa deliberada de destruir provas e atrapalhar as investigações.

Genro da desembargadora Nelma Sarney — apontada como líder da organização criminosa —, Edilázio é suspeito de atuar como elo entre advogados e magistrados, facilitando negociações de decisões judiciais em troca de vantagens financeiras. A estimativa é que o grupo tenha movimentado mais de R$ 54 milhões em decisões judiciais obtidas de forma fraudulenta.

De acordo com os investigadores, Edilázio estava em Brasília no momento em que a operação foi deflagrada, às 6h do dia 14 de agosto de 2023. Às 8h20, já ciente da ofensiva da PF, ele restaurou o celular para as configurações de fábrica, apagando mensagens, documentos, imagens e e-mails. Às 11h09, ao desembarcar em São Luís, foi surpreendido por agentes federais munidos de mandado de busca e apreensão.

A Procuradoria-Geral da República detalhou, em uma denúncia de 313 páginas, que Edilázio e Nelma atuavam “de forma sistemática” para intermediar decisões judiciais junto ao TJ-MA. Mensagens extraídas do celular da desembargadora reforçam o papel do ex-parlamentar como ponte entre o chamado “núcleo causídico” — formado por advogados — e o “núcleo jurídico”, composto por magistrados.

Outro envolvido, o advogado Carlos Luna, também tentou destruir provas ao lançar seu próprio celular pela janela do décimo andar de um prédio em São Luís durante o cumprimento de mandado. Apesar de o aparelho ter sido recuperado por um porteiro e entregue à PF, a perícia constatou que ele estava severamente danificado, impossibilitando a extração dos dados.

Além de Edilázio, Nelma Sarney e Carlos Luna, também são alvos da operação os desembargadores Luiz Gonzaga Almeida Filho, Antônio Guerreiro Júnior, Marcelino Everton Chaves (aposentado), e os juízes Alice Rocha e Cristiano Simas. A PF identificou que advogados ligados ao grupo tinham acesso privilegiado à Corte, facilitado principalmente pela atuação da desembargadora Nelma.