Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água chama atenção para um direito essencial à vida: o acesso à água potável e ao saneamento. Embora o Brasil concentre cerca de 12% da água doce do planeta, a distribuição do recurso ainda é marcada por desigualdades. Em São Luís, o problema se reflete no dia a dia de moradores, principalmente em bairros periféricos, onde a irregularidade no abastecimento é constante.

No bairro Alto do Calhau, a falta de água exige adaptação frequente. A moradora Violeta Ferraz relata que, mesmo com cisterna e caixa d’água, já chegou a passar quase uma semana sem abastecimento. “Quando falta água, a gente precisa se virar. Tem que comprar ou pedir para vizinho. Isso afeta tudo”, afirma.

A escassez interfere diretamente em atividades básicas. Segundo ela, já houve situações em que precisou sair de casa sem tomar banho para trabalhar, além de recorrer à casa de terceiros. “Acumula roupa suja, atrasa tudo”, conta. A qualidade da água também é motivo de preocupação. “Quando chega, muitas vezes vem fraca e até suja. Por isso a gente não usa para beber”, acrescenta.

No Centro Histórico da capital, os problemas se repetem. O universitário Enos Gustavo destaca que o custo da água potável tem pesado no orçamento. “O galão que era quatro reais já passa de dez”, relata. Ele também afirma que as interrupções no abastecimento costumam durar mais de um dia. “Nunca é só um dia. São dois, três dias sem água. Se não tiver caixa, complica muito.”

Diante da situação, improvisar se torna rotina. “Às vezes vou tomar banho fora de casa, porque não tem outra opção”, diz. Moradores também criticam a falta de comunicação sobre as interrupções. “As respostas são variadas: problema técnico, vazamento ou interrupção programada que nem sempre é avisada”, afirma.

Em nota, a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) informou que realiza ações para melhorar a regularidade do abastecimento em São Luís, incluindo manutenção e investimentos nos sistemas. Segundo a companhia, houve melhorias no sistema Italuís para reforçar a captação e distribuição de água, além de intervenções na rede.

A Caema atribui parte dos problemas ao crescimento urbano e à necessidade de expansão da infraestrutura, especialmente em áreas periféricas, e afirma que segue com ações para ampliar o atendimento na capital.

Criado em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Água reforça a importância da preservação dos recursos hídricos e da ampliação do acesso. Em 2010, a entidade reconheceu oficialmente a água potável e o saneamento como direitos humanos fundamentais.

Na prática, porém, a data evidencia uma realidade em que o acesso à água ainda depende diretamente do lugar onde se vive.