Três deputados federais do PL foram interrogados nesta quinta-feira (28) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e negaram participação em um suposto esquema de cobrança de propina ligado à destinação de emendas parlamentares para o município de São José de Ribamar, no Maranhão.

A denúncia, recebida em março pela Primeira Turma do STF, aponta os parlamentares pelos crimes de organização criminosa e corrupção passiva. Entre os investigados estão Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), identificados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como líderes do esquema, além do suplente Bosco Costa (PL-SE). Todos atualmente estão fora do exercício de seus mandatos.

Segundo a PGR, o grupo teria recebido R$ 1,6 milhão em propina para destinar R$ 6,6 milhões em emendas à cidade, o que corresponde a 25% do total dos recursos. Um documento apreendido pela Polícia Federal (PF) com um dos investigados trazia nomes e percentuais que cada participante supostamente receberia. De acordo com a investigação, o agiota conhecido como Pacovan seria o responsável por intermediar a cobrança junto ao então prefeito Eudes Sampaio Nunes, a pedido de Maranhãozinho.

Depoimentos no STF

Durante o interrogatório, Josimar Maranhãozinho optou por permanecer em silêncio, seguindo orientação da defesa, que alegou não ter tido acesso a todas as provas da acusação, incluindo a perícia de um dispositivo eletrônico ainda pendente de juntada aos autos. O ministro Cristiano Zanin, relator do caso, decidiu manter a audiência, destacando que as defesas poderão se manifestar posteriormente quando novos elementos forem incluídos.

Pastor Gil negou as acusações e afirmou que a escolha de São José de Ribamar para receber recursos foi iniciativa própria, motivada por sua votação expressiva na cidade e pelo interesse da igreja local. Ele declarou que as emendas, no valor de R$ 1,48 milhão, seriam destinadas à construção de um prédio em homenagem ao centenário da Assembleia de Deus no Maranhão.

O deputado disse ainda que só conheceu Pacovan após assumir o compromisso com o município, e alegou que o suposto acordo de cobrança de propina seria falso, ressaltando que o agiota “usava o nome de políticos”.

O suplente Bosco Costa, por sua vez, declarou que não conhecia nem o prefeito de São José de Ribamar nem Pacovan. Segundo ele, todas as emendas que destinou foram direcionadas ao estado de Sergipe, e ele desconhecia o documento com a divisão de valores apreendido pela PF.

Origem da investigação

O caso teve início em 2020, quando o então prefeito Eudes Sampaio denunciou às autoridades que 25% das emendas destinadas à saúde estavam sendo cobradas como contrapartida. A PGR sustenta que Maranhãozinho exercia papel de liderança no grupo, controlando a destinação dos recursos, conforme indicam diálogos e documentos obtidos pela apuração.