O deputado estadual Francisco Nagib (PT), filho do prefeito de Codó, Chiquinho do PT, se pronunciou publicamente pela primeira vez sobre as acusações de envolvimento em um esquema de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Maranhão. A declaração foi feita durante entrevista concedida nesta segunda-feira (5) ao podcast apresentado pelo blogueiro Leandro de Sá.

As denúncias vieram a público em maio de 2024, após uma série de reportagens publicadas pelo jornalista Marco Silva, que trouxe à tona relatos de assessores e ex-assessores do parlamentar. Segundo os denunciantes, desde que Nagib assumiu o mandato em 2023, teria sido estruturado um esquema ilegal no qual servidores do gabinete eram obrigados a devolver parte de seus salários ao chefe de gabinete.

Ainda de acordo com os relatos, os assessores também teriam sido orientados a cancelar seus planos de saúde, repassando ao esquema cerca de R$ 400 mensais, valor que também seria direcionado ao chefe de gabinete. Um dos ex-assessores afirmou que os recursos arrecadados eram utilizados para pagar aliados políticos, blogueiros, jornalistas e para custear eventos promovidos pelo deputado em cidades do interior do Maranhão.

As investigações apontam ainda que Francisco Nagib teria contratado diversos aliados políticos de Codó para seu gabinete parlamentar. No entanto, esses servidores não compareciam regularmente à Assembleia Legislativa, permanecendo em atividades no município. Entre os mais de 20 funcionários citados como participantes do esquema estariam o diretor da FCTV, Cícero de Sousa; o piloto de avião do Grupo FC Oliveira, José Wilson; o contador do mesmo grupo, Weldes Pinto; e a secretária do empresário Chiquinho do PT, Cristina Valério.

Durante a entrevista ao vivo, o deputado foi questionado diretamente sobre o caso após uma pergunta enviada pelo jornalista Marco Silva por meio do YouTube. Visivelmente incomodado, Nagib negou as acusações e afirmou que não haveria provas concretas.

“Não, isso aí foi uma denúncia que ele mesmo fez, que bota comprovantes que não existe, aí fez a denúncia, o Ministério Público olhou e disse ‘aqui não tem nada concreto’. Acho que nem avançou isso aí, não foi pra frente. Aí eu também não vou responder algo que não me atinge (…)”, declarou o parlamentar.

Apesar da afirmação do deputado, as denúncias não foram arquivadas pelo Ministério Público. Pessoas citadas no caso, incluindo envolvidos e testemunhas, já foram ouvidas no âmbito da investigação. Segundo apuração, o processo segue em andamento, e novas informações sobre o caso devem ser divulgadas nas próximas semanas.