O município de Codó poderá ganhar destaque nacional através da trajetória de resistência, liderança comunitária e preservação cultural do quilombola Valdivino Silva, morador da comunidade São Benedito dos Colocados, na zona rural do município.

Aos 64 anos, Valdivino é um dos finalistas do Prêmio Mestres de Saberes Quilombolas, iniciativa promovida pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O prêmio reconhece lideranças de comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares que preservam e transmitem conhecimentos ancestrais e práticas tradicionais.

O codoense concorre na categoria “Defesa do Território e Práticas de Biointegração / Resistência Quilombola / Memória e Luta”, voltada a pessoas que atuam na liderança comunitária, preservação histórica e proteção dos territórios tradicionais.

Segundo informações do material divulgado pela organização da candidatura, a trajetória de Valdivino começou ainda no final da década de 1970 e é marcada pela defesa da democracia, dos direitos humanos, ambientais e territoriais dos povos e comunidades tradicionais.

Além da militância em defesa do território quilombola, Valdivino também atua fortemente na educação popular, compartilhando memórias e saberes ancestrais aprendidos com os mais velhos da comunidade. Ele ainda participa de formações políticas ligadas à economia solidária, soberania alimentar, cultura quilombola e projetos socioambientais.

Em entrevista concedida sobre a candidatura, Valdivino afirmou que sua principal motivação é dar visibilidade à luta do território quilombola de São Benedito dos Colocados, que há anos reivindica a titulação coletiva da área.

“A participação na premiação surge com o incentivo de companheiras e companheiros do Quilombo São Benedito e dos movimentos que viram em mim o perfil para apresentar candidatura pela minha história, mas minha principal motivação é dar visibilidade à luta do território”, destacou.

Ele também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais diante do avanço do desmatamento e das invasões territoriais.

“Nosso modo de vida está ameaçado, especialmente pelo desmatamento e invasões diversas. Essa luta também representa a luta de diversas comunidades quilombolas no Maranhão. Nosso território é sagrado e precisamos preservar tudo que habita nele”, afirmou.

A expectativa agora gira em torno do resultado oficial da premiação, previsto para ser divulgado na próxima terça-feira, dia 2 de junho. Enquanto isso, a candidatura de Valdivino Silva já mobiliza apoiadores e reforça a importância da valorização dos saberes ancestrais e da resistência quilombola no Maranhão.