O ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça, determinou que o Tribunal de Justiça do Maranhão preste esclarecimentos formais sobre a transferência de R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais para o Banco de Brasília. Os recursos estavam sob custódia do Banco do Brasil e foram redirecionados para a instituição financeira do Distrito Federal pouco antes da eclosão da crise envolvendo o Banco Master.

O BRB é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura possível gestão temerária e operações com ativos considerados de risco, a partir de negociações realizadas junto à instituição presidida por Daniel Vorcaro. Diante desse cenário, a Corregedoria Nacional quer entender as circunstâncias e os critérios que levaram o Judiciário maranhense a optar pela mudança da instituição responsável pela guarda de valores bilionários oriundos de processos judiciais.

No ofício encaminhado ao tribunal, Mauro Campbell solicitou informações detalhadas sobre a negociação: quem propôs a transferência, quais garantias foram apresentadas, quais análises técnicas embasaram a decisão e quais mecanismos de segurança foram adotados para proteger os depósitos judiciais.

A troca foi confirmada pelo presidente da Corte, desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, durante sessão do Órgão Especial no fim de janeiro. Na ocasião, ele declarou ter “assumido o risco” da operação ao defender a transferência dos recursos para o BRB e destacou a rentabilidade do acordo. Segundo o magistrado, os rendimentos obtidos com a aplicação dos valores teriam sido suficientes, inclusive, para custear vantagens e penduricalhos pagos aos membros da Corte maranhense — declaração que agora amplia o debate sobre transparência, prudência administrativa e responsabilidade na gestão de recursos públicos sob tutela do Judiciário.