A gestão do prefeito Gleydson Resende, em Barão de Grajaú, atravessa um dos períodos mais obscuros de sua história recente. O município vive um cenário marcado por negligência administrativa, falhas graves nos serviços públicos e uma crescente sensação de abandono que ecoa nos relatos da população. O que antes se restringia a críticas sobre desorganização e ineficiência ganhou contornos trágicos com o agravamento da crise na saúde pública — uma crise que, segundo denúncias, já estaria custando vidas.

Um dos casos mais revoltantes envolve a morte de uma mulher, mãe de três crianças, em circunstâncias que escancaram o descaso institucional. De acordo com familiares, a vítima procurou atendimento no Hospital Municipal Barjonas Lobão por diversas vezes, mas recebeu apenas medicações paliativas, sendo constantemente liberada para voltar para casa, mesmo com a piora evidente do quadro clínico.
Na última tentativa de socorro, um médico chegou a iniciar o processo de internação. No entanto, ao ser substituído por outra profissional de plantão, a gravidade da situação foi minimizada. Mesmo apresentando vômitos com sangue, a paciente não foi encaminhada ao Hospital Tibério Nunes, em Floriano, referência regional para casos mais complexos. A justificativa apresentada foi de que a hemorragia seria “normal” em decorrência de uma inflamação na garganta. Horas depois, a mulher foi encontrada inconsciente. Familiares relataram pedidos de ajuda desesperados, sem resposta imediata da equipe hospitalar. Quando o atendimento finalmente ocorreu, já não havia mais o que fazer.
A tragédia expôs não apenas a dor irreparável de uma família, mas também a falência de um sistema de saúde que carece de profissionais preparados, protocolos eficazes e, sobretudo, humanidade. A sensação de impotência toma conta da comunidade diante de um serviço público que deveria proteger vidas, mas falha no básico: acolher, diagnosticar e agir com responsabilidade.
O episódio não é isolado. A administração municipal já vinha sendo alvo de críticas recorrentes por sucessivas exonerações de secretários e coordenadores, contratos questionáveis com empresas recém-criadas e um evidente descontrole na condução das políticas públicas mais essenciais. O resultado é um município à deriva, sem planejamento, sem respostas e sem rumo.
O que se vê hoje em Barão de Grajaú vai além de uma simples má gestão. Trata-se de um verdadeiro colapso institucional, no qual a vida dos cidadãos parece relegada a segundo plano. Diante de tragédias dessa magnitude, o silêncio da prefeitura é ensurdecedor — e tão grave quanto a própria omissão no atendimento médico.
Barão de Grajaú não pode continuar pagando com sangue e lágrimas o preço da incompetência administrativa. A população exige respeito, transparência e mudanças urgentes. Governar é assumir responsabilidades. Ignorá-las é condenar uma cidade inteira ao sofrimento.

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