O cenário político em Aldeias Altas tem se desenhado sob o peso dos interesses individuais que miram em 2028. A atual legislatura municipal parece empenhada em usar a chamada Casa do Povo como palco de estratégias pessoais mesmo que, para isso, o preço seja pago com dinheiro público.

Um dos exemplos mais evidentes pode ser a contratação de um blogueiro que, de forma sistemática, utiliza suas redes e suas páginas online para atacar opositores e tentar desgastar a imagem de quem hoje ocupa a chefia do Executivo municipal, justamente o alvo político da presidente da Câmara, que sonha em disputar o cargo de prefeita.
O blogueiro em questão, Francisco Ygor Sousa, que assina seus textos com o pseudônimo Ygor Motta, ganhou um cargo de assessor parlamentar na própria Câmara Municipal. Assim, enquanto se dedica a atacar a gestão, recebe seus vencimentos pagos com recursos públicos. E ele não está sozinho: há outros blogueiros registrados no Diário Oficial da Casa, sustentados pelo mesmo dinheiro que deveria servir à população.

Curiosamente, o “jornalista” mantém silêncio absoluto diante dos episódios mais graves que ocorrem dentro da Câmara. Um deles, protagonizado pela própria presidente Reneia Ferreira, com a afirmação em sessão de que haveria uma pedófilo entre os vereadores. A denúncia ficou no ar e ganhou destaque nacional, sem apuração, sem questionamento e, claro, sem publicação no portal do blogueiro. Afinal, o contracheque fala mais alto.
Entre as muitas contradições da atual gestão legislativa, está também o descumprimento da promessa de convocar os aprovados no concurso público da Câmara, anunciada para o dia 20 de setembro do corrente ano. A promessa foi feita em discurso na sessão de 27 de agosto, mas até agora permanece apenas nas palavras.
A política em Aldeias Altas, portanto, pode ser comparada às nuvens do céu: a cada olhar, está diferente. O mesmo blogueiro que hoje ataca ferozmente a administração municipal já demonstrava admiração aberta pelo então prefeito Kedson Lima, com fotos e elogios nas redes sociais, talvez na esperança de conquistar o mesmo que conseguiu agora: um cargo de assessor.
Outro ponto que chama atenção é a dúvida sobre o cumprimento da carga horária de assessor parlamentar, que, conforme o site oficial da Câmara, exige atendimento presencial de segunda a sexta, das 8h às 14h. Fica a pergunta: o assessor cumpre as 30 horas semanais ou dedica parte do expediente à militância digital?
Em meio a tantas inconsistências, a gestão da presidente Rênia Ferreira se mostra um verdadeiro mar revolto, marcado pela falta de coerência e transparência. A Câmara, que deveria ser exemplo de ética e compromisso público, parece ter se transformado em um palco de conveniências onde cada ato é cuidadosamente ensaiado para servir a projetos pessoais e provavelmente ao grupo de vereadores G6 não ao povo de Aldeias Altas.

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