A polêmica envolvendo a decoração natalina de quase R$ 6 milhões inaugurada pelo prefeito Chiquinho do PT ganhou um novo capítulo neste sábado (8). A Associação de Mães e Familiares de Pessoas com Deficiência da Região dos Cocais divulgou uma nota de repúdio contra a estátua instalada na Praça Alcebíades Silva — monumento que vem sendo acusado de estereotipar e debochar de pessoas com autismo.

A escultura, apresentada pela prefeitura como símbolo de inclusão, retrata uma criança aparentemente nua, com as mãos coloridas, urinando em uma pequena fonte d’água diante de um muro com a frase: “Ser autista não é defeito, é uma forma diferente de existir.” Para muitas famílias, porém, a obra é profundamente ofensiva. Elas afirmam que a representação reforça preconceitos, expõe uma figura infantil de forma inadequada e não tem qualquer relação com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Na nota, a Associação critica a falta de sensibilidade da gestão municipal e afirma que o espaço público deve refletir respeito, empatia e responsabilidade. Segundo o documento, a escultura causa constrangimento às famílias que lutam por reconhecimento e compreensão da neurodiversidade. “A escolha demonstra falta de conhecimento sobre o autismo e total despreparo”, diz o texto.

Mesmo reconhecendo que a praça ficou organizada e visualmente bonita, as mães pedem a retirada imediata da estátua, por considerá-la inadequada e desrespeitosa. Elas também cobram que a prefeitura consulte pessoas autistas e seus familiares antes de propor novas ações relacionadas à inclusão.

A repercussão negativa reforça o sentimento de indignação já manifestado por moradores, que classificaram a peça como uma “piada de mau gosto”. Em uma cidade que enfrenta sérios problemas na saúde, na educação e no abastecimento de água, o gasto milionário aliado à exposição considerada ofensiva aumenta a pressão sobre a gestão de Chiquinho do PT.

A nota encerra com um alerta direto: “Respeito é a base da verdadeira inclusão.”